
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Enquanto o barulho dos fogos de artifício já entrou no debate nas cidades por causa do sofrimento de cães e gatos, no campo o impacto segue pouco falado. Bovinos, equinos, ovinos e outros animais de produção também podem sofrer com os estampidos típicos das festas de fim de ano, alertou o presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio Grande do Sul (CRMV-RS), médico-veterinário Mauro Moreira, à coluna.
— Os animais de produção possuem um nível de audição extremamente sensível. O impacto do barulho é muito grande, principalmente porque ocorre de forma súbita. E o instinto é buscar abrigo, o que pode levá-los a situações de risco — explica o técnico.
Segundo ele, artefatos pirotécnicos podem ultrapassar os 100 decibéis, com propagação sonora de até 100 metros — intensidade suficiente para provocar estresse, pânico e acidentes.
O problema costuma passar despercebido porque muitas propriedades rurais não estão imediatamente próximas aos locais onde os fogos são disparados. Ainda assim, Moreira ressalta que, dependendo da distância e da direção do som, os animais podem ser afetados:
— Se os fogos forem soltos em áreas urbanas ou em pequenas cidades, é possível que esses animais sejam prejudicados.
O comportamento, segundo o veterinário, é semelhante ao observado em pets: susto, tentativa de fuga e reações impulsivas. Em propriedades rurais, o risco se agrava quando os animais estão amarrados.
— Eles podem se ferir, se jogar contra cercas, causar danos físicos importantes ou até fugir — alerta.
O que fazer
A recomendação é que, sempre que possível, os animais permaneçam em ambientes mais protegidos do barulho, com menos estímulos externos. Uma das estratégias indicadas é o uso de música suave para ajudar a mascarar o som dos fogos — recurso já adotado por tutores de animais domésticos e que também pode ser aplicado no meio rural.
No caso dos pets, Moreira reforça cuidados que se repetem todos os anos, mas seguem essenciais:
— Não manter os animais amarrados, deixar em ambientes fechados, com portas e janelas bem fechadas, oferecer música ambiente e evitar que fiquem sozinhos.
Em apartamentos, o cuidado deve ser redobrado, continua:
— Há casos de animais que se jogam de janelas ou sacadas ao se assustarem.
Outro ponto crítico é a identificação dos animais, alerta Moreira:
— Muitos fogem no momento do barulho e acabam se perdendo.
Em situações específicas, o uso de medicamentos fitoterápicos pode ser considerado, desde que sempre sob orientação de um médico-veterinário. Moreira também lembra que existem leis que restringem o uso de fogos com estampido, mas que a fiscalização ainda é falha.




