
Não é apenas no resultado do PIB de 2025 que o Rio Grande do Sul carrega o peso da estiagem. Conforme balanço apresentado pela assessoria econômica da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), o crescimento econômico gaúcho deve ficar em 1,15%, ao passo que o brasileiro, em 2,35%. Para 2026, a projeção para o Brasil é de 1,79% de alta e, para o RS, de 4,4%.
Considerando o de 2019 para cá, no entanto, o PIB do RS deixou de crescer 11 pontos percentuais em relação ao Brasil, em decorrência das perdas climáticas.
— A estiagem não é problema do produtor rural, é do Estado do Rio Grande do Sul. Quanto mais estiagem, mais fluxo de saída do município. Estamos perdendo pessoas — alertou o economista-chefe da entidade, Antônio da Luz.
Ainda no universo da estatística, as perdas causadas pelo tempo somam 48,6 milhões de toneladas entre 2020 e 2025 no território gaúcho. Se esse volume fosse colocado em caminhões, seria possível fazer uma fila de três vezes, ida e volta, de Porto Alegre até Belém e ainda sobraria um trecho até Belo Horizonte. Ou iria da Cidade do Cabo até Magadan, na Rússia.
— As grandes dificuldades que viemos tendo tem a questão climática como epicentro. O fato é que temos sofrido, e muito. E a partir disso, atrasado nosso PIB — reforçou o presidente da Farsul, Gedeão Pereira.
Os prognósticos atuais apontam para um 2026 de boa colheita, com recuperação da soja. Mesmo com uma produção cheia, o cenário de crise no crédito rural deve manter a dificuldade do produtor — e não só o gaúcho. Houve redução de 14% no valor efetivamente tomado.
— A crise de crédito não é gaúcha, é brasileira. Cento e 30 mil pessoas que tomaram crédito em 2025, provavelmente não tomarão no ano que vem —pontuou da Luz.


