
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Se o ano já vinha perfumado para a floricultura brasileira, dezembro chega com o último "frasco". Impulsionado pela tradição de decorar casas, empresas e espaços públicos — e pelo hábito crescente de presentear com flores e plantas —, o setor vive um dos períodos mais importantes do calendário. Juntos, Natal e Réveillon respondem por cerca de 9% das vendas anuais de flores no Brasil, e a expectativa é de crescimento próximo de 9% em relação ao fim de 2024.
— O mercado está bem aquecido, com boa oferta e demanda firme — resume Renato Opitz, presidente do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), responsável pela projeção dos números.
Há um diferencial importante nesta época do ano, acrescenta o dirigente:
— É um período mais longo. Já no início de dezembro, e até antes, empresas, shoppings e famílias entram no clima natalino, decoram ambientes, organizam confraternizações. Isso puxa muito o consumo.
No Rio Grande do Sul, o Natal também costuma ser uma data estratégica para o setor. No entanto, neste ano, o momento é de cautela, adianta Walter Winge, presidente da Associação Riograndense de Floricultura (Aflori):
— Existe uma expectativa de boas vendas, como em anos anteriores, mas até o momento elas estão um pouco abaixo do esperado.
Para Winge, a insegurança política e econômica pesa no bolso — e no ânimo — do consumidor.
Entre os produtos mais procurados no Brasil e no Estado estão as flores de corte, como rosas, astromélias, lírios e crisântimos, usadas tanto em arranjos quanto em composições decorativas. Mas quem realmente assume o papel de símbolo do Natal são as plantas típicas da data.
A poinsettia, conhecida como bico-de-papagaio, lidera as vendas, seguida por kalanchoes, cyclamens, antúrios e outras espécies nas cores tradicionais da temporada — muitas vezes com versões decoradas com glitter, laços e acabamentos dourados.
No segmento das plantas verdes, as tuias e pinheiros naturais seguem como alternativa às árvores artificiais. Há desde exemplares maiores até versões mini, em vasos pequenos, pensadas para apartamentos e espaços reduzidos. A maioria produzida em São Paulo.

