
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
O verão começou oficialmente neste domingo (21) no Hemisfério Sul e, no Rio Grande do Sul, chega trazendo um roteiro conhecido pelo produtor rural: bons volumes de chuva na largada e um sinal de alerta à frente. A estação se estende até 20 de março do ano que vem e deve ser marcada por precipitações abaixo da média, embora sem extremos climáticos previstos.
Segundo o meteorologista da Secretaria Estadual da Agricultura e coordenador do Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro-RS), Flávio Varone, o final de dezembro será de tempo úmido e instável:
— O verão começa com muita nebulosidade e pancadas de chuva em boa parte do Estado.
Condição que favorece a safra de verão, que tem como carro-chefe a soja. Há previsão de recomposição da umidade do solo, que se encontra na reta final do plantio no Estado, e o abastecimento dos reservatórios voltados, em sua maioria, à irrigação das lavouras de arroz.
Em algumas regiões, no entanto, o excesso de umidade tem dificultado o ritmo das operações de campo e ampliado a atenção com doenças fúngicas, apontou o último boletim conjuntural da Emater.
Se dezembro será marcado por chuvas, janeiro deve funcionar como um mês de transição. Os volumes de precipitação tenderão a ficar próximos ou ligeiramente abaixo da média histórica, mas a distribuição ao longo do mês deve ser suficiente para sustentar o desenvolvimento das culturas.
— Não se espera falta de umidade em janeiro, mesmo com temperaturas elevadas — reforça Varone.
As máximas devem superar os 30ºC com frequência, aumentando a evaporação, mas sem provocar déficit hídrico expressivo. Para a Emater, o cenário pode favorecer o estabelecimento das lavouras de soja que começam a entrar em floração ou enchimento de grãos, etapas decisivas para o potencial produtivo da safra.
O desafio maior aparece no calendário de fevereiro. A previsão indica períodos mais longos de tempo seco, com intervalos de 15 a 20 dias sem chuva em algumas regiões.
— Esses veranicos podem provocar estiagens localizadas e afetar culturas mais sensíveis, como a soja — alerta o meteorologista.
Técnicos da Emater reforçam que esse é um momento crítico do ciclo das lavouras e recomendam manejo cuidadoso do solo e monitoramento constante das áreas produtivas.
No fim do verão, a atmosfera tende a mudar novamente. A expectativa é de retorno das chuvas no final de fevereiro e ao longo de março, ajudando a aliviar o estresse hídrico acumulado. Quanto às temperaturas, não há indicação de ondas prolongadas de calor extremo, embora picos próximos dos 40 ºC possam ocorrer de forma pontual.
E o La Niña?
Outro ponto destacado pelo Simagro é que o resfriamento no Pacífico Equatorial não evoluiu para um evento de La Niña. Sem a influência direta do fenômeno, o comportamento do clima no Estado será guiado principalmente por condições regionais. No entanto, há meteorologistas que entendem que, sim, o fenômeno ocorrerá neste período.



