
Dois meses depois do início da operação, o Programa Liquidação de Dívidas Rurais, do BNDES, contabiliza R$ 5,2 bilhões aprovados, do total de R$ 12 bilhões sinalizados pelo governo federal. Em todo o país, conforme o banco, 642 municípios, distribuídos em 21 Estados compõem essa cifra.
Do montante autorizado, 92% foi para contratos do Rio Grande do Sul. A linha, aliás, surgiu a partir da articulação dos gaúchos, que sofreram uma sequência de safras com problemas climáticos, a mais recente a de 2025, criando um passivo.
Ao avaliar o balanço, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, frisou que "cerca de 62% dos recursos aprovados até agora foram destinados a agricultores familiares e produtores de médio porte, que têm papel central na segurança alimentar e no desenvolvimento regional".
Entraves no enquadramento dos produtores aptos a buscar o recurso, que tem subsídio da União, são apontados pelo setor produtivo como razão para a baixa adesão ao programa, apesar de elevada demanda. Na quarta-feira (17), uma Medida Provisória trouxe uma alteração nas regras, permitindo a inclusão de financiamentos da safra 2024/2025. E nesta quinta (18), o Conselho Monetário Nacional (CMN) se reúne para votar as modificações na regulamentação.
A expectativa do setor, a partir de apontamentos feitos em reunião com representantes dos Ministérios do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura e do Banco do Brasil, era por três pontos. A inclusão dos financiamentos da safra 24/25 (duramente impactada pela estiagem no Rio Grande do Sul) — renegociados ou inadimplentes —, dos encargos financeiros cobrados e a mudança no "labirinto burocrático das datas".
— É um passo à frente, mas não colocar os encargos (na renegociação) nos preocupa — diz Antônio da Luz, economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).




