
A colheita de trigo no Rio Grande do Sul avançou, chegando a 60% da área estimada, segundo dados da Emater divulgados nesta quinta-feira (13). Uma evolução de 18 pontos percentuais em relação à semana anterior, mas ainda abaixo da média para período. O ritmo, no entanto, está longe de ser o grande desafio da atual safra.
Com preços abaixo do mínimo e uma grande variação tecnológica nas lavouras, a tendência é de um resultado financeiro negativo para a cultura. O alerta vem da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro-RS).
— Na linguagem popular, o produtor planta de teimoso, porque os orçamentos que faz, projeção de custo e de resultado, em função dos preços que estão aí, nunca são animadores — pondera Paulo Pires, presidente da entidade.
E ele apresenta a "matemática" do problema:
— A conta que a gente tem hoje é de que o produtor que colheu 50 sacas por hectare e vendeu a R$ 56, tem 11 sacas de prejuízo, ou seja, cerca de R$ 600 reais.
Esse cenário deve trazer consequências para o ciclo de 2026. Pires avalia que haverá uma redução significativa de área no Estado. Sobre a medida de apoio sinalizada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para o escoamento de trigo, o dirigente avalia:
— A ferramenta é muito bem intencionada, mas é tímida, insuficiente. Se usarmos todos os recursos no Rio Grande do Sul, não dá 5% da safra.



