
Um dos assuntos que mais tem ficado no radar do agro é justamente o tarifaço dos Estados Unidos. Os efeitos da medida estão aparecendo nas exportações do Rio Grande do Sul. Mesmo assim, as receitas dos embarques do setor tiveram alta de 5% em setembro, na comparação com igual mês de 2024, conforme a Federação da Agricultura do Estado (Farsul). Assessor de Relações Internacionais da entidade, Renan Hein dos Santos explicou para o último Campo e Lavoura, da Rádio Gaúcha, esse desempenho. Confira trechos da entrevista abaixo.
Como entender esses números? Caiu 75% a receita dos embarques para os Estados Unidos, mas o Rio Grande do Sul acabou fechando o mês com alta.
Realmente, pode parecer estranho. Antes do tarifaço, os Estados Unidos eram o segundo ou o terceiro principal cliente do Rio Grande do Sul. Houve uma queda tão grande nesse mercado e, mesmo assim, houve um crescimento no valor exportado. O que nós vemos é que tivemos um desempenho muito forte na carne bovina, suína e nos produtos relacionados ao fumo. Esses desempenhos mais do que compensaram essa dificuldade que nós estamos enfrentando com o mercado norte-americano.
Ou seja, os produtos foram destinados a outros mercados, é isso?
Exatamente. Nós vemos, por exemplo, na carne bovina, um aumento expressivo nas exportações para a China e para o Reino Unido. Na carne suína, houve um crescimento muito grande ao longo do ano todo das exportações para as Filipinas. E nós vimos também exportações muito fortes do grupo fumo para a Europa.
Os Estados Unidos, então, não são mais necessários nas exportações do agro?
Eu não diria isso porque, mesmo com toda essa dificuldade, ainda tem volume relevante de exportações para os Estados Unidos. E um ponto muito importante é a questão dos contratos. Por mais que tenham se encontrado novos mercados e que esses produtos estejam saindo com sucesso, nós não sabemos quais são as condições que estão sendo feitas essas negociações. Então, perder um cliente tão consolidado é ruim.
Sim, está se manejando a situação, mas o fato é de que houve um tombo em diversos produtos além da carne bovina.
Tem uma série de produtos importantes na nossa pauta exportadora que tinham os Estados Unidos como o seu principal mercado. É importante, então, retomar essa relação e normalizar essas exportações. Todo o esforço a mais feito para conquistar outros mercados acaba sendo um benefício indireto dessa situação. Mas a gente precisa voltar à situação anterior com certa urgência porque os nossos empresários precisam disso.
De fato, para alguns mercados, a solução precisa vir o quanto antes porque é uma perda muito grande.
Exato. Quando tem uma dependência de mais de 50% da tua exportação para um mercado específico e, da noite para o dia, some essa renda, é um desafio muito grande.
Outro viés dessa batalha comercial é justamente a relação entre Estados Unidos e China. Por que isso não beneficia os números do Rio Grande do Sul, falando de soja, especificamente?
Vemos no Brasil um cenário e, no Rio Grande do Sul, outro. É muito simples. Nós temos uma baixa oferta de soja aqui no Rio Grande do Sul por causa da estiagem. Infelizmente não podemos surfar nessa onda.
E dá para projetar como as exportações do agro devem fechar o ano?
Nos números do acumulado de janeiro a setembro, houve uma queda no valor exportado de 2,6% e, no volume, de 4,3%. Essa distância, em relação ao ano passado, já esteve maior. Então, assim, há bons resultados em alguns produtos importantes, como a carne bovina. Se terminarmos o ano empatados com os números do ano passado, já vai ser positivo. Porque o impacto da estiagem foi muito forte e a soja é o carro-chefe das exportações no Estado.




