
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
O Rio Grande do Sul marcou a sua posição no mapa mundial do vinho neste mês. O prestigiado Merano Wine Festival, realizado na comuna de Merano, região do Alto Ádige, na Itália, revelou a lista anual dos WineHunter Awards — e oito vinhos gaúchos foram contemplados com a medalha Gold (ouro), reconhecimento reservado apenas a rótulos de excelência. Do Brasil, outros dois também receberam a distinção: um de Brasília, no Distrito Federal, e outro de Goiás.
A medalha ganha peso extra neste ano porque, pela primeira vez em suas 34 edições, o guia europeu avaliou vinhos produzidos no Brasil. Tradicionalmente, a competição era focada em rótulos de alta gama da Europa.
Segundo Cristian Silva, proprietário da Vivá Vinhos e Casa Vivá, de Porto Alegre, uma das vencedoras da edição e representante da delegação brasileira no festival, o interesse europeu pelo mercado brasileiro cresce na mesma medida em que importadores italianos enfrentam dificuldades para ampliar presença em países como Estados Unidos e China. O Brasil surge, nas palavras dele, como “a bola da vez”.
— Mas mais importante do que a premiação em si é ver vinhos brasileiros sendo reconhecidos como vinhos de excelência — destaca Silva.
No caso da Vivá Vinhos, o rótulo vencedor foi o Traminer, um branco aromático elaborado a partir de uma uva conhecida como “mãe” de várias variedades brancas de perfume intenso. Além disso, o vinho é natural, ou seja, produzido artesanalmente, sem adição de químicos e com foco na expressão da fruta brasileira. Por ano, são produzidas apenas 20 mil garrafas. As uvas são compradas de pequenos agricultores e selecionadas manualmente.
— Busco fazer um vinho autêntico, brasileiro, uma pura expressão da nossa fruta. Ganhar ouro com um branco lá fora é um atestado de qualidade internacional que nenhum de nós tinha conquistado até agora — reforça Silva.

Três rodadas, avaliação às cegas e rigor técnico
Uma equipe de avaliadores — liderada pela brasileira Karine de Souza, embaixadora do WineHunter, que vive há mais de duas décadas na Itália — viajou ao país e degustou, às cegas, mais de 200 vinhos da América Latina, sendo 199 brasileiros.
Os vinhos inscritos passaram por três rodadas de avaliação, analisados por uma equipe de três especialistas no Brasil, com notas para aspectos visuais, aromáticos e gustativos. O resultado: 10 medalhas Gold e 19 Rosso (bronze) para rótulos nacionais.
E ao conquistar o selo, os produtores têm o direito de expor seus rótulos no Merano Wine Festival, encontro que reúne importadores, chefs e especialistas de mais de 28 países — um dos mais importantes pontos de negócios da alta gastronomia europeia.
Os premiados
Medalha Gold (ouro)
- Ales Deorum Riserva Merlot, de 2018, da Ales Victoria, no Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul
- Oak Barrel (Viognier), de 2023, da Amitié, em Garibaldi, no Rio Grande do Sul
- Riesling, de 2023, da Arte Líquida, em Canela, no Rio Grande do Sul
- Montealegre (Pinot Noir), de 2021, da Atelier Tormenas, em Canela, no Rio Grande do Sul
- Rosé, de 2022, da Montaneus, em Farroupilha, no Rio Grande do Sul
- Monte D'Alba, de 2024, da Monte Castelo, em Jaraguá, no Goiás
- Dialeto Syrah Gran Riserva, de 2022, da Oma Sena, em Brasília, no Distrito Federal
- Prestigie, da Valmarino, em Pinto Bandeira, no Rio Grande do Sul
- Linea Vitale Garganega, de 2022, da Valparaiso Vinhos e Vinhedos, em Barão, no Rio Grande do Sul
- Traminer, da safra 2020/2021, da Vivá Vinhos, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul
Medalha Rosso (bronze)
- Ales Merlot, de 2020, da Ales Victoria, no Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul
- Belkis (Syrah), de 2022, da Alto Cerrado, em Brasília, no Distrito Federal
- Nebbiolo, de 2020, da Atelier Tormenas, em Canela, no Rio Grande do Sul
- 3 Enologas - Corte I, da Caetano Vicentino, em Nova Pádua, no Rio Grande do Sul
- Brut, da Don Giovanni, em Pinto Bandeira, no Rio Grande do Sul
- Quarto Acto, de 2020, da Don Giovanni, em Pinto Bandeira, no Rio Grande do Sul
- Chardonnay, de 2025, da Fabian, em Nova Pádua, no Rio Grande do Sul
- Genoino corte, de 2022, da Fabian, em Nova Pádua, no Rio Grande do Sul
- Alvarinho, de 2022, da Giovanni Tasca, em Monte Belo do Sul, no Rio Grande do Sul
- Sauvignon Blanc, de 2022, da Marchese, em Brasília, no Distrito Federal
- Premium (Syrah), de 2022, da Marchese, em Brasília, no Distrito Federal
- Tannat, de 2023, da Marzarotto, em Nova Pádua, no Rio Grande do Sul
- Vernacolo, de 2023, da Oma Sena, em Brasília, no Distrito Federal
- Cabernet Sauvigon e Merlot, de 2022, da RAR Riserva di Famiglia, nos Campos de Cima da Serra, no Rio Grande do Sul
- Talha-Mar (Syrah), de 2023, da São Patrício, em Rianápolis, no Goiás
- Linea Vitale Pinot Grigio Rosé, de 2024, da Valparaiso Vinhos e Vinhedos, em Barão, no Rio Grande do Sul
- Seu Claudino Superiore (Syrah), de 2024, da Villa Triacca, em Brasília, no Distrito Federal
- Sauvignon Blanc, de 2024, da Vínicola Brasília, no Distrito Federal
- Corte bordalês, de 2022, da Vivá Vinhos, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul






