A evidência está nas prateleiras de supermercado: o preço do leite no Rio Grande do Sul (e no Brasil) vem caindo de forma mais acentuada nos últimos meses. Dados da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz-RS), mostram que, na média de outubro, o litro do produto integral na Região Metropolitana fechou a R$ 3,99. São R$ 0,70 a menos do que o valor registrado há três meses.
Se a conjuntura for combinada a eventuais promoções, a "barbada" fica ainda maior, mas esse é um barato que pode sair caro. É que o atual patamar de preços (em queda também ao produtor) tende a se converter em desestímulo. O que, mais à frente, pode se converter em uma produção menor.
— Os preços ao produtor estão caindo em função do aumento da oferta, tanto no Rio Grande do Sul quanto no Brasil. Somado a isso, temos importações muito aquecidas, que pressionam ainda mais, sem uma reação forte da demanda — explica Ruy Silveira Neto, economista da Federação da Agricultura (Farsul), que coordena o levantamento mensal dos custos de produção no leite.
E, no médio prazo, não há sinais de mudança, até porque nas férias escolares costuma haver uma redução do consumo, pondera Darlan Palharini, coordenador do Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Rs (Conseleite):
— Normalmente, já dá uma reduzida (nesse período). Quando olhamos nos próximos 60, 90 dias, não se tem uma perspectiva muito positiva.
A entidade encaminhou ao governo federal, no final de outubro, um pedido de pacote de ações emergenciais buscando diluir um pouco desse efeito negativo. As iniciativas incluíam a compra governamental para enxugar a oferta dentro de casa. Também há pedido para que se tenha algum tipo de limite ao produto que entra do Mercosul (que tem um custo mais competitivo) e para um benefício fiscal às indústrias que usam leite em pó como insumo para que comprem produto nacional.
Presidente da Associação de Criadores de Gado Holandês (Gadolando), Marcos Tang reforça que a crise no leite é no Brasil inteiro, mas que "tudo se acentua" no RS, em razão do histórico recente de estiagens acumuladas, intercaladas com a enchente de 2024:
— Teve aumento de produção local e um boom de importação. Juntou dois fatores extremamente ruins. No cenário de agora, tem gente (produtor) no Interior recebendo R$ 1,70 pelo litro.
Também produtor, Tang acrescenta:
— Tem que melhorar (o cenário) para ficar ruim.




