
Gaúcho de Erechim, o diretor do Programa Carne Angus Certificada, Wilson Brochmann, criou raízes produtivas no Centro-Oeste, onde conduz a Agropecuária Maragogipe. A propriedade, que fica no município de Bataguassu, no Mato Grosso do Sul, acaba de levar para casa o 11º título do Concurso de Carcaça Angus. A carcaça, é a parte do bovino utilizada para corte e processamento de carne.
E por que existe esse tipo de premiação? Brochamann falou sobre esse e outros assuntos relacionados à produção de carne no programa Campo e Lavoura, da Rádio Gaúcha. Confira abaixo trechos da entrevista.
O que são os concursos de carcaça e qual é a relevância para a produção de carne?
São muito importantes para demonstrar a evolução das raças anualmente. Estamos vendo, ano após ano, um crescimento grande, não só de animais participando, mas também de aumento da qualidade dos animais que estão sendo abatidos nesses concursos.
E o que faz uma boa carcaça?
A resposta não é tão simples. Existem diversos fatores que contribuem para uma carcaça ser vitoriosa, não só a parte de genética, mas também a de sanidade e de nutrição. Então, na verdade, é dominar todos esses aspectos para conseguir um animal mais precoce, musculoso e com marmoreio.
O senhor falou em marmoreio, característica desejada na carne de qualidade. Pode explicar o motivo?
Vou dar um exemplo: a picanha tem a gordura externa que encobre o corte. O contra filé tem a gordura entremeada no músculo. Quando é assado, essa gordura derrete e dá sabor e a suculência da carne. É justamente essa gordura entremeada que é o que chamamos de marmoreio. Hoje, o mercado interno e o de exportação estão ávidos por marmoreio. Temos na Agropecuária Maragogipe um projeto de dimensionamento de marmoreio no olho do lombo, via ultrassonografia, para identificação dos animais que, geneticamente, têm maior suscetibilidade de transmitir essa característica para os seus filhos.
O Programa Carne Angus Certificada é reconhecido e consolidado. O quanto o consumidor já reconhece e valoriza esse produto?
O diferencial dos animais certificados na carne angus é a quantidade de padronização dos animais. Hoje, exportamos para 40 países e tivemos um crescimento, nos últimos 12 meses, de 200% em volume em relação ao mesmo período do ano passado. Temos 84 funcionários na Associação Brasileira de Angus e Ultrablack que atuam em 60 plantas no Brasil certificando a proteína para consumo interno e exportação. Só não crescemos mais rápido porque faltam animais para o abate.
Com relação ao mercado externo, o tarifaço dos EUA inviabilizou a entrada de carne bovina ao país?
No caso da angus, não, porque os Estados Unidos representam 2% do que exportamos de carne. Não é relevante, e não tivemos problema de demanda pelo fato da carne ser taxada. Eles continuam comprando mesmo com sobretaxa.
Para o final do ano, a perspectiva é daquele tradicional aumento de demanda do consumidor por conta das festas? Dá para crescer mais?
Com certeza, a demanda aumenta, as empresas fazem confraternizações, as famílias também. O grande problema que nós estamos tendo, hoje, na carne angus, é a disponibilidade de animais para serem abatidos. Nós estamos atendendo a demanda da melhor forma possível, o mercado de exportação é crescente, o doméstico é, e vamos tentar atender a todas as demandas. Não sei se será possível, mas, de qualquer maneira, nessa época, no Centro-Oeste, que é o grande fornecedor de animais angus para o programa, há um aumento considerável de abates. O valor da arroba teve um crescimento importante, assim como no Rio Grande do Sul (o preço do quilo). Isso estimula as pessoas a terminarem mais.
Ao que se deve essa dificuldade na obtenção da matéria-prima?
Um pouco ao ciclo pecuário, em que se abateu muitas matrizes. Esse terneiro está fazendo falta e continuará no ano que vem. E um pouco foi devido ao preço, que estava um pouco achatado, desestimulando os grandes confinamentos. Agora, com o aumento do valor da arroba, a operação se tornou lucrativa e está tendo um aumento de disponibilidade. Não sei se vai ser possível atender à demanda, mas estamos fazendo todas as programações para, inclusive, aumentar os nossos certificadores em algumas plantas que querem fazer aumento de abate.



