A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
O início da colheita do pêssego na zona rural de Porto Alegre trouxe de volta uma cena que já virou tradição no Centro: a feira de produtores, instalada no Largo Glênio Peres, atrás do Mercado Público.
Nesta temporada, são apenas duas famílias que comercializam sua produção no local. Mas, mesmo em número reduzido, representam um conjunto maior de agricultores, lembra Giordana Piber, uma das produtoras à frente das bancas:
— A gente acaba carregando um pouco dos outros também. Em pêssego, as frutas vêm de quase 10 produtores da Vila Nova, por exemplo.
Neste ano, a feira funciona 24 horas. Os agricultores chegam às 5h e ficam até as 17h; à noite, um vigia assume e segue atendendo quem passa. Para esta temporada, a licença vai até o fim de dezembro, quando acaba a safra do pêssego. Que, por sinal, neste ano, está "ótima", adianta Giordana: doce e em grande volume, depois de anos marcados por irregularidades climáticas.
— Mas normalmente o prazo é prorrogado até fevereiro, e aí mudam os produtos vendidos. Entra melão, uva, ameixa e outras frutas de verão, à medida que a colheita avança — acrescenta Giordana, que também integra a direção do Sindicato Rural de Porto Alegre, responsável pela iniciativa.
Por ora, o movimento, segundo os feirantes, está “super bom”. Muitos clientes são de longa data — Giordana, por exemplo, está na feira desde 2006. Mas tem também quem descubra ali, pela primeira vez, que Porto Alegre tem uma extensa zona rural — a terceira maior entre as capitais brasileiras.
— Muita gente pergunta: Vila Nova? Mas isso é em Porto Alegre? É sim, é Zona Rural. E produz de tudo — conta a produtora, rindo.
O que tem na banca
A lista de produtos à venda retrata a diversidade da produção da zona rural de Porto Alegre: tomate cereja, pêssego, ameixa, nectarina, louro verde, flores, morango, jabuticaba, acerola, e, em janeiro, carambola e lichia. Para o Natal, já está garantido também o figo in natura, do qual a família Vertaco é conhecida produtora.
— Tudo que a gente planta, a gente traz — resume Giordana, que vê na feira uma maneira de manter viva a cultura agrícola da Capital.




