
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
No campo gaúcho, quilombos mantêm territórios e modos tradicionais de produzir, apesar de desafios históricos que se prolongam até hoje. No Dia da Consciência Negra (20), a coordenadora estadual das ações da Emater com os Povos Tradicionais Quilombolas do RS, Regina Miranda, destaca a força dessas comunidades — e também os obstáculos.
O Estado possui 144 comunidades quilombolas, sendo 86% rurais e diretamente dependentes da agricultura. Segundo Regina, elas preservam sistemas produtivos diversos, integrados ao ambiente e baseados em espécies nativas e crioulas:
— É a agroecologia antes da agroecologia.
Mas a principal dificuldade permanece sendo o acesso à terra. Das 144 comunidades, 116 têm processos abertos no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e apenas cinco possuem titulação definitiva.
— Essa falta de regularização trava políticas públicas, como o crédito rural. Um exemplo: por anos, quilombolas foram impedidos de emitir o bloco do produtor por não terem título da terra. Após articulação entre Emater, Incra e Secretaria da Fazenda, a regra foi alterada — cita a coordenadora.
Sobre os jovens quilombolas, Regina afirma que o êxodo rural segue uma lógica própria: muitos saem para estudar ou buscar renda, mas não rompem o vínculo com o território:
— Eles vão e voltam. O território é anucleador.
E, em um momento em que o mundo discute clima e sustentabilidade, Regina lembra:
— Os quilombolas são jardineiros da natureza. Deveriam ser protagonistas na governança ambiental.
População negra no Rio Grande do Sul
- 21% da população gaúcha se autodeclara negra (Preta ou Parda).
- A participação cresce após décadas de queda ou estagnação.
Quilombos no RS
- 144 comunidades quilombolas certificadas pela Fundação Cultural Palmares.
- 86% delas estão em áreas rurais.
- 116 comunidades têm processos abertos no Incra.
- Apenas 5 têm titulação definitiva — só 2 são rurais.
- Produção agrícola quilombola
- Predominância de sistemas agroecológicos tradicionais.
- Forte preservação de espécies nativas e crioulas.
- Uso combinado de plantas alimentares, medicinais e ritualísticas.





