
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
A COP30, que começa nesta segunda-feira (10), em Belém, no Pará, traz ao agronegócio brasileiro uma oportunidade: mostrar ao mundo que agricultura, pecuária e silvicultura podem ser parte da solução para as mudanças climáticas — e não um problema. Para o setor, é hora de comunicar de forma clara e assertiva o que há de mais avançado na produção rural nacional.
Domingos Velho Lopes, vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), reforça essa percepção:
— Desde a COP de Glasgow, a agricultura brasileira é reconhecida internacionalmente como modelo de baixo carbono. Precisamos mostrar à sociedade urbana e aos jovens que o agro é sustentável, resiliente e eficiente.
Lopes destaca ainda o papel do Brasil no cenário global de energia limpa:
— Somos líderes na geração de eletricidade limpa, e essa experiência complementa o que fazemos na agricultura.
Uma das novidades desta edição da conferência é a AgriZone, criada em parceria entre Embrapa e Senar Nacional. Trata-se de um espaço dedicado a mostrar o agro brasileiro como sequestrador natural de carbono e protagonista na transição para práticas mais sustentáveis.
— Pela primeira vez, teremos um ambiente dentro da COP voltado à agricultura sustentável, integrando ciência e tecnologia — ressalta Lopes.
Marcello Brito, secretário executivo do Consórcio da Amazônia Legal, também tem tom otimista:
— Em vez de viajar pelo mundo, agora o público internacional vem até nós. É uma chance única de mostrar sistemas de produção tropical, agroflorestais e de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), que são únicos no planeta.
Segundo ele, a COP30 será um momento de amadurecimento e profissionalização para o agro brasileiro, reforçando sua posição de liderança global na agricultura regenerativa.
O Rio Grande do Sul também terá espaço para apresentar projetos inovadores. Marjorie Kauffman, secretária estadual do Meio Ambiente, explica que o Estado destaca iniciativas como roteiros de descarbonização da agricultura e pecuária e o projeto Reflora, voltado ao melhoramento genético e reposição florestal.
— É a primeira COP que abre tanto espaço para a agricultura e a pecuária, mostrando que produção de alimentos e mudanças climáticas podem andar juntas — afirma a secretária.






