
Mudanças na forma de consumo do chimarrão ao longo dos últimos anos vêm impactando a produção de erva-mate no Rio Grande do Sul, trazendo desafios e oportunidades. O atual cenário, de preços em baixa, traz a provocação do debate que ganha espaço nesta sexta-feira (21) no 1º Seminário da Erva-Mate. O evento, em Ilópolis, no Valo do Alto Taquari, é promovido pela Frente Parlamentar da Assembleia Legislativa que trata do produto.
— Precisamos dar mais estabilidade ao produtor. Hoje, estamos com preços muito baixos, é a maior crise desde 1996. Temos um excedente (de produção) e uma redução do consumo — pondera Paparico Bacchi, coordenador da Frente Parlamentar da Erva-Mate.
Um dos marcos na queda do consumo foi a pandemia. Sem o compartilhamento do mate, o volume anual per capita, que era de 11 quilos, passou para os atuais nove quilos.
— Quando tem demanda de produto, eleva o preço, quando tem matéria-prima sobrando, aí as pessoas ficam se lamentando — avalia Clóvis Roman, presidente da Associação dos Produtores e Parceiros da Erva-Mate do Alto Taquari.
Antes da pandemia, a alta de preços em 2013 e 2014 também mudou hábitos, com as cuias de chimarrão ficando menores para fazer a tradição caber no orçamento.
Os novos usos do produto, dentro e fora de casa exigem como contrapartida a profissionalização do produtor. Para inserir a erva-mate na merenda escolar ou buscar novos mercados, por exemplo, é preciso fazer dar uma virada de chave. Dessa forma, o setor ficaria menos suscetível às oscilações de oferta versus demanda (e o respectivo impacto em preços).
— O consumidor mudou, mas a cadeia não trabalhou para o incentivo de novos consumos. A erva-mate tem outros potenciais — ressalta Roman.
A região do Alto Taquari, maior polo ervateiro do Estado, está buscando a Indicação Geográfica (IG) da erva-mate local.
A liberação de recursos do Fundomate e a criação de consórcios da erva-mate são pautas que estarão em discussão no seminário esta sexta.
O seminário
- O I Seminário da Erva-Mate será realizado no Parque do Ibama, em Ilópolis, das 9h30 às 16h30, e está aberto ao público interessado.





