
Dos R$ 12 bilhões sinalizados para o Programa de Liquidação de Dívidas Rurais, 20% foram aprovados até o momento. É o que aponta balanço divulgado nesta quinta-feira (20) pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES). São R$ 2,45 bilhões em um mês de operação da linha voltada à renegociação de produtores afetados por problemas climáticos no Brasil.
A maior parte desse volume, 61%, foi para agricultores familiares e médios. A abertura dos protocolos foi no dia 16 de outubro.
O montante aprovado no período, conforme o banco, atendeu agricultores de 485 municípios, distribuídos em 16 Estados. São cerca de 8,3 mil operações, com um tíquete médio de R$ 296 mil.
Ainda não há a divulgação de quanto desse montante foi para renegociações específicas de produtores do Rio Grande do Sul.
Levantamento feito pela Federação da Agricultura do Estado (Farsul) no início do mês apontava que, em média, apenas 20% da demanda do RS seria atendida pela linha. O cálculo foi feito junto a instituições financeiras que operam no território gaúcho, considerando o recurso destinado a cada uma delas — proporcional às carteiras e ao número de municípios atingidos.
A preocupação com o endividamento de produtores do RS foi tema de uma audiência pública das comissões de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) e de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado Federal, na quarta-feira (19). Na ocasião, Domingos Velho Lopes, vice-presidente e futuro presidente da Farsul usou uma comparação para dar ideia das perdas gaúchas, de 2020 para cá:
— Se pegar caminhões e colocar um atrás do outro, botando as 48 milhões de toneladas que o RS perdeu, vamos de Porto Alegre a Belém, voltamos a Porto Alegre e viemos a Brasília. Esse é o nosso prejuízo do agro, em grão.
Ele acrescentou que o prejuízo financeiro com a sequência de estiagens (apenas 2021 teve safra cheia) e a enchente soma mais de R$ 320 bilhões "só no agro, de 2020 para cá".
O dirigente agradeceu pelas iniciativas adotadas pelo governo federal até o momento, mas reforçou que os recursos são insuficientes para dar conta da demanda. E defendeu o projeto de lei 5.122, aprovado na Câmara, como a solução que "não deixa ninguém para trás".



