
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Durante conversa com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os americanos “estão sentindo falta” de produtos brasileiros, especialmente do café. Itens que, desde agosto, estão sobretaxados por uma tarifa de 50% imposta pelo próprio governo estadunidense. A declaração, apurada pela BBC News Brasil, é mais um sinal de uma possível reaproximação entre os dois países — e de que as tarifas geraram um efeito rebote no mercado americano.
— O tarifaço impactou o setor brasileiro, mas também parece ter afetado o norte-americano — avalia Fernando Maximiliano, analista de inteligência de mercado da StoneX.
Mas, afinal, qual é a fatia que o Brasil ocupa nos Estdos Unidos quando o assunto é café?
Para começar, o café é a bebida mais consumida nos Estados Unidos, superando, inclusive, a água engarrafada, conforme dados da National Coffee Association (NCA). Cerca de 75% dos adultos norte-americanos consomem a bebida diariamente.
Apesar da alta demanda, os EUA produzem apenas 1% do café que consomem, o que os torna altamente dependentes de países produtores — especialmente do Brasil. Maior produtor global, o Brasil abastece cerca de um terço do mercado norte-americano, seguido por Colômbia, Etiópia, Honduras e Peru.
— O Brasil é, de longe, o maior fornecedor de café dos Estados Unidos. E ainda lidera a produção mundial de café arábica, a variedade preferida pelos americanos. Substituí-lo não é tarefa simples — explica Maximiliano.
E os reflexos desse cenário atingem também o bolso dos americanos. No acumulado do ano, a inflação do preço do café torrado e moído já ultrapassou 40% nos EUA.






