
O impacto da taxação americana sobre os produtos brasileiros aparece com força nos números de exportações, e a regra não é exceção no caso das vendas do agronegócio do Rio Grande do Sul. Dados compilados pela Federação da Agricultura do Estado (Farsul) apontam, no entanto, que mesmo com esse efeito, as receitas dos embarques do setor tiveram alta de 5% em setembro, na comparação com igual mês de 2024. E qual a explicação?
— Encontramos outros mercados para esses produtos, é o que os números indicam — observa Renan Hein dos Santos, assessor de Relações Internacionais da Farsul.
Em volume, o resultado mensal registra uma queda de 4%, ainda trazendo o efeito da estiagem, que encolheu a produção do principal item da pauta de exportação.
Olhando especificamente para os Estados Unidos, o faturamento em setembro despencou: 75% sobre igual mês do ano passado (caiu de US$ 94,22 milhões para US$ 23,83 milhões). Em volume, o tombo foi de 62%.
Alguns segmentos sentiram com força a medida aplicada pelo presidente Donald Trump. É o caso do grupo fumo e seus produtos, com queda de 94% no valor e de 79% no volume. O item couros/peles de bovinos crust (semiacabados) registou expressivos 97% em valor e volume (veja quadro abaixo).
O tabaco, por exemplo, abriu com força as porteiras da Europa, ajudando a compensar a perda de espaço nos EUA. Bélgica, Suíça, Polônia e Grécia estão entre as maiores altas de faturamento nas exportações do produto do RS.
— Mesmo que se encontrem novos mercados, ainda continua sendo um tremendo um problema (o tarifaço dos EUA). É um dano tremendo, até para o planejamento — pondera Santos.
O que puxou para cima
O resultado positivo veio apesar da taxação americana e foi puxado principalmente pelas carnes. A bovina teve aumento nos embarques para a China e o Reino Unido. A suína, garante o resultado com o apetite das Filipinas. No frango, o efeito do caso de influenza aviária ainda aparece no volume, mas em receita, o nono mês do ano fechou com alta de 3%.
Pesou nos embarques
Setores que sentiram os impactos do tarifaço:
- As exportações de carne bovina tiveram diminuição de 70% no valor e 81% no volume para os EUA
- Couros/peles de bovino preparados registraram queda de 62% no valor e 51% no volume. O sebo bovino, de 54% e 61%, respectivamente
- Produtos apícolas reduziram 8% no valor e 41% no volume
- O grupo produtos florestais teve queda de 66% no valor e 58% no volume. Celulose, de 69% e 54%, e madeira, de 67% no valor e 72% no volume.
- Os Estados Unidos, que normalmente ficava entre segundo e terceiro principal parceiro comercial do RS, em setembro de 2025 ficou em 14º lugar
Fonte: Relatório das Exportações da Farsul


