
A combinação de fatores externo e interno fez soar com força o alerta de preocupação no setor de lácteos do Rio Grande do Sul. O Conseleite, conselho paritário que reúne representantes de produtores e indústria, costurou uma proposta de um pacote de ações emergenciais consideradas necessárias para estancar a crise que se avizinha.
Os pontos listados constam em documento encaminhado presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, ao vice-presidente, Geraldo Alckmin, aos ministros da Agricultura, Carlos Fávero, do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e ao presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto.
— Precisamos do apoio do governo neste momento crítico para que o setor avance em produtividade e competitividade e que, em um futuro breve, consigamos enfrentar o mercado globalizado de forma autônoma — afirma Darlan Palharini, coordenador do Conseleite.
O aumento da produção gaúcha em um momento do ano em que já deveria ser de baixa, a proximidade do período de entrada de safra de Minas Gerais (maior produtor nacional) e a entrada de lácteos importados do Mercosul, que chegam a preços mais competitivos, são os fatores que embasam a preocupação do setor. Que ganha um ingrediente adicional com à queda nos preços pagos ao produtor.
Conforme dados do Conseleite, o valor de referência do litro vem caindo desde julho. O projetado para outubro é de R$ 2,2163.
A alta na importação de setembro sobre agosto deste ano é o motivo do alerta: a quantidade, em milhões de litros, subiu 19,87%. No acumulado entre janeiro e setembro, há redução de 4,9%.
— A importação vinha se mantendo (no ano), mas final de setembro veio esse aumento, até estranhamos o por quê. Não conseguimos competir em preço (com o produto de países do Mercosul) —reforça Palharini.
São três os pedidos apresentados. Um é para que haja um benefício fiscal, uma espécie de bônus, às empresas de achocolatado, panificadoras, entre outras, que comprarem leite em pó produzido no Brasil. Seria uma forma de incentivo à preferência pelo produto nacional em relação ao importado.
Outra solicitação é a da realização de compra governamental, de cem mil toneladas de leite em pó, para programas sociais e escolas. Por fim, há a requisição para uma sobretaxa emergencial de 50% para leite em pó e queijo muçarela importados da Argentina e do Uruguai, vigente por 36 meses.



