
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Quando o litro de leite que sai da vaca não cobre nem o custo do produtor, o sinal de alerta acende no campo. E é por este motivo que a Comissão Estadual do Leite da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS) cobrará do governo federal e órgãos competentes nos próximos dias a implementação de medidas consideradas urgentes pelo setor produtivo. Uma agenda para definir as ações exatas está marcada para a próxima terça-feira (21). Entre elas, cotas ou barreiras para importação, compra reguladora pela Companhia Nacional Abastecimento (Conab), atualização do preço mínimo, fiscalização contra práticas ilegais e ações para estimular o consumo interno.
Vice-presidente da Fetag-RS, Eugênio Zanetti se preocupa:
— Uma nova crise como essa pode acelerar ainda mais a evasão de produtores da atividade leiteira, o que trará impactos sociais e econômicos graves para o meio rural gaúcho.
Em várias regiões do Rio Grande do Sul, o preço por litro despencou para menos de R$ 2,00 — uma queda média que, nos últimos três meses, chega a R$ 0,50. Entre os problemas elencados por Zanetti que influenciam esse cenário, a do aumento da importação de lácteos. Enquanto o Brasil produz mais, as importações saltaram de 150 mil para quase 200 mil toneladas mensais, inundando o mercado com produto estrangeiro. A chegada da safra no Centro-Oeste, combinada com o calor do verão que reduz o consumo e se aproxima, só deve piorar o cenário.



