
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
A disputa comercial entre Estados Unidos e China voltou a esquentar neste fim de semana, com a ameaça norte-americana de tarifas adicionais de 100% sobre produtos chineses e uma retaliação iminente por parte de Pequim. No entanto, os efeitos dessas decisões políticas vão além das tarifas: elas poderão impactar ainda mais as rotas de exportação de soja, cujos fluxos comerciais já estão sendo redirecionados, principalmente, para o Brasil.
Na última sexta-feira (10), o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou novas tarifas sobre a China em resposta à tentativa de Pequim de controlar o fornecimento de terras raras (minerais essenciais na indústria tecnológica). As novas tarifas, que devem ser implementadas em novembro, provocaram uma reação rápida do Ministério do Comércio chinês, que declarou neste domingo (12): "Se os EUA continuarem a agir unilateralmente, a China tomará medidas correspondentes para proteger seus direitos e interesses legítimos". O comunicado ainda ressaltou: "Não buscamos confrontos, mas não hesitaremos em enfrentá-los."
Reflexo no agronegócio
O efeito dessas tensões comerciais já reflete no volume de exportação de soja. De acordo com dados da American Farm Bureau Federation (AFBF), entre janeiro e agosto de 2025, os Estados Unidos enviaram apenas 218 milhões de bushels de soja (unidade de medida que equivale a aproximadamente 27,2 kg) para a China, uma queda expressiva de 78% em relação aos 985 milhões de bushels registrados no mesmo período de 2024.
A relação comercial entre China e Brasil tem se estreitado, com o país asiático cada vez mais optando pela soja do Brasil em detrimento da dos Estados Unidos. De acordo com dados do setor, o Brasil atingiu recordes de exportação em 2025, superando os números dos Estados Unidos, e já em outubro as vendas brasileiras bateram um novo marco anual.
O presidente da American Soybean Association (ASA), Caleb Ragland, manifestou preocupação com os desdobramentos da guerra comercial. "As guerras comerciais prejudicam a todos, e os últimos acontecimentos são especialmente preocupantes em um momento em que os produtores de soja enfrentam uma crise financeira crescente", afirmou em nota publicada na última sexta-feira.




