Uma empresa, uma invasora e uma inovação. Esses são três capítulos que descrevem um pouco da história da família Kehl, da linha Imperial, em Nova Petrópolis, na Serra. E que fazem brotar, literalmente, a sucessão familiar pelas mãos, ou melhor, pelo cultivo do jovem Lucas Kehl, 25 anos.
Atleta profissional de vôlei, ele deu uma virada profissional com o cultivo de cogumelos. E a ideia surgiu a partir de um resíduo gerado por uma espécie de árvore invasora existente na propriedade: a da uva japonesa. A serragem da variedade era sobra na fábrica de móveis da família, a Germânia. Virou uma nova atividade.
— Sempre tive vontade de ter um próprio negócio, algo criativo. Um amigo me ligou pedindo a serragem dos móveis. Tinha uma pousada e queria fazer cultivo de cogumelos para os hóspedes colherem — conta Lucas.
Ele pediu que o amigo testasse usar a serragem proveniente da árvore de uva japonesa para o cultivo e disse:
— Se der certo, quero aprender.
Foi o que fez. Estudou durante dois anos, montou o laboratório no próprio apartamento e ficou treinando.
Em maio de 2023, voltou a Nova Petrópolis e, em janeiro do ano seguinte, deu início à venda de cogumelos com a marca Dü Organics. O produto in natura caiu no gosto de chefs e consumidores.
E o apetite alimentou novas criações. Como a linha de risotos com cogumelos desidratados que, há três meses, é o carro-chefe do negócio.
O cultivo de variedades como shitake, shimeji e juba de leão hoje é feito de duas formas. Em toras da uva japonesa em meio à área de preservação permanente da propriedade (são oito hectares) e em uma estufa com 240 metros quadrados.
A produção é de 20 quilos de cogumelos por dia. Também seguem crescendo as ideias para o empreendimento, que já recebe visitas agendadas. Uma delas é desenvolver um eco parque.
*A coluna viajou a Nova Petrópolis a convite do Sicredi




