
A perspectiva do iminente acordo entre Estados Unidos e China é um fato novo que entra no cenário global de soja, que tem no Brasil o grande fornecedor. Assim como o prognóstico de um La Niña, com potencial para mexer com as estimativas de produção brasileira do grão. Esses dois ingredientes têm entrado na composição atual do mercado, de formas diferentes.
No caso das exportações de soja, a reedição da guerra comercial entre americanos e chineses deixou um saldo positivo acima do esperado para os negócios do Brasil.
— Estamos vendendo um pouco mais para a China do que já venderíamos — diz Luiz Fernando Guiterrez Roque, coordenador de Inteligência de Mercado de Grãos & Oleaginosas da Hedgepoint Global Markets.
Ana Luiza Lodi, especialista de inteligência de mercado da StoneX, acrescenta:
— Como se colheu uma safra recorde neste ano (no Brasil), com oferta bem considerável de soja, a China aproveitou.
De janeiro a setembro, os embarques totais do grão brasileiro (para todos os destinos) somaram 93,9 milhões de toneladas, o que representa uma alta de 4,91% em relação a igual período do ano passado. Considerando apenas o que foi vendido para a China, o volume é de 65,5 milhões de toneladas, aumento de 11% em igual comparação.
O mês de setembro, acrescenta Roque, foi de compras zeradas de soja dos EUA pela China. Um eventual acordo entre os dois países poderá incluir algum volume de soja a ser adquirido pelos chineses, o que coloca o tema no radar de atenção do Brasil.
— É um ponto que o mercado estará olhando. Mas mesmo tendo essa preocupação de onde a China comprará a soja, Brasil e EUA são os grandes fornecedores (do grão) do mundo — pondera Ana.
Roque reforça que, mesmo sendo o acordo um ponto de preocupação, será necessário entender a dimensão dele:
— O Brasil continuará sendo o principal vendedor (de soja) para a China, mas pode perder alguma coisa de volume.
La Niña
O fator climático é sempre monitorado de perto por produtores e mercado. Neste momento, as atenções já começam a se voltar para a safra sul-americana. Por ora, no entanto, não há uma grande preocupação, apesar do La Niña — o prognóstico é de que seja de fraca intensidade e curta duração. Até o momento, a chuva se mantém.
— Por enquanto, não temos o mercado assustado com o La Niña, mas sem dúvida, as atenções estão redobradas — observa o coordenador de Inteligência de Mercado de Grãos & Oleaginosas da Hedgepoint Global Markets.


