
Na noite deste sábado (24), ocorre a noite de gala dos vinhos brasileiros. É quando a 33ª Avaliação Nacional de Vinhos da Safra 2025, organizada pela Associação Brasileira de Enologia (ABE), será realizada em Bento Gonçalves, na Serra. Cerca de 800 apreciadores poderão sentir os aromas e provar os gostos das 16 amostras mais representativas desta colheita. Presidente da entidade, o enólogo Mario Ieggli falou ao Campo e Lavoura, da Rádio Gaúcha, o que esse momento reserva. Confira trechos da entrevista abaixo.
O que podemos observar de traços comuns e diferenças nas amostras mais representativas da Safra 2025?
A avaliação nacional é, sem dúvida, o grande momento do vinho brasileiro. É um encontro de celebração que reúne toda a cadeia produtiva da uva: profissionais, apreciadores, especialistas e leigos, todos movidos pelo mesmo sentimento, que é o valor pelo vinho. E está cada vez mais plural e nacional. Temos nove Estados brasileiros, 76 vinícolas. A vitivinicultura brasileira está se expandindo para o Sudeste, para o Norte, e isso tem mostrado o que temos de melhor em cada terroir. A avaliação nacional não é um concurso, mas, sim, avalia a safra em curso, ajudando os produtores a entender seu próprio vinho e também a obter maior qualidade na taça.
Quando se fala em 16 amostras mais representativas da safra, o que isso representa?
Neste ano, tivemos 533 amostras de todas as categorias: base de espumante aquele vinho que vai virar espumante, vinho branco, não aromático, aromático, tinto jovem, tinto de corte e tinto "normal". Dentro dessas categorias, escolhemos os 30% mais representativos de cada uma. A escolha é feita a partir de uma pontuação em uma ficha técnica, nos moldes da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV). No fim, são escolhidos dois a três vinhos de cada categoria. Mas a Avaliação Nacional de Vinho não acontece somente no dia 25 de outubro, começou lá atrás, com a coleta e a catalogação de amostras. Somente depois disso os enólogos aptos degustam e avaliam os vinhos.
Entre as 533 amostras inscritas, houve a estreia de Rio de Janeiro e Espírito Santo. Como é a produção de vinho nesses locais?
Trabalho desde 2018 no Rio de Janeiro. Fui o primeiro enólogo a atuar lá. Devido à dupla poda, técnica que se utiliza para obter a safra e a colheita no inverno, já que o Sudeste não tem estações definidas como o Sul. Essa técnica não tem nem 10 anos e já está mandando vinhos para Avaliação Nacional de Vinhos, quer dizer, a região está produzindo vinhos de qualidade.
Essas amostras degustadas já estão no mercado?
Não, 99% dos casos estão em tanques. Degustamos o futuro, como eu gosto de dizer. Degustamos o vinho que vai ser preparado para o envase e ir ao mercado, geralmente, daqui dois a três anos.





