
Na tentativa de enxugar parte da oferta de arroz do mercado brasileiro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou nesta quarta-feira (22) a liberação de R$ 300 milhões para medidas de apoio para o setor. Os recursos serão utilizados em dois mecanismos diferentes. Atualmente, o valor da saca de 50 quilos está abaixo do mínimo estabelecido, que é de R$ 63,64 para a safra colhida neste ano.
A cifra de R$ 200 milhões será destinada à Aquisição do Governo Federal (AGF), que é a compra feita com o pagamento do preço mínimo — e que se destinará para estoque público. Serão 137mil toneladas a serem negociadas nessa ferramenta.
Os outros R$ 100 milhões farão frente aos prêmios de escoamento de produção, para que o arroz seja comercializado para outras partes do país.
— Com isso, queremos dar um pouco de liquidez — explicou o presidente da Conab, Edegar Pretto, sobre o objetivo.
Além da cotação ao produtor em baixa, os negócios têm estado muito lentos. Conforme indicador do Cepea/Irga, a saca fechou em R$ 57,44 na terça-feira (21), 51,9% menor do que a registrada e igual data de 2024.
Os recursos que serão liberados estavam programados para 2026, mas foram antecipados.
— É um aporte ainda neste ano, para que a gente consiga enxugar essa colheita de 2025. E, principalmente o aporte na subvenção, onde vamos poder escoar um volume muito bom para a retirada de arroz do RS — pontuou Denis Dias Nunes, presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz-RS).
Maior produtor nacional de arroz, o Estado tem um consumo pequeno, em razão da população, mas também por conta do "grande estoque do arroz do Brasil", acrescentou o dirigente.
No total, a AGF e os prêmios de escoamento de produção (PEP e Pepro) deverão enxugar um volume de 600 mil toneladas de arroz. Como outras 200 mil toneladas haviam sido negociadas via contratos de opção de venda, o presidente da Conab contabiliza 800 mil toneladas com algum tipo de intervenção.
O estoque de passagem (volume que "sobra" entre uma safra e outra) está estimado em torno de 2 milhões de toneladas neste ano.
Diretora-executiva da Associação Brasileira da Indústria de Arroz (Abiarroz), Andressa Silva acrescentou que às empresas não interessem nem preços muito reduzidos, nem muito elevados.
— A Abiarroz reconhece o esforço do governo com essa ações emergenciais, mas defende medidas estruturantes — avaliou a diretora-executiva.






