
A queda nos preços é "o sintoma" mais evidente, mas vem da conjuntura a preocupação de entidades do agro com a situação de produtos como arroz, leite e trigo. Seja pela crise instaurada ou pela que se avizinha, representantes do setor se reúnem, nesta quinta-feira (23), na sede da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS), para tratar de ações emergenciais e estruturais.
Representantes de órgãos do governo estadual e federal e parlamentares também foram chamados para debater o tema.
— Essa é a ideia do encontro: tirar um documento e levar para os governos, reivindicações para trabalhar questões estruturantes — pontua Carlos Joel da Silva, presidente da Fetag-RS.
No momento, a situação do arroz é considerada das mais delicadas, com um agravamento da crise para todo o setor.
— Está bem difícil. O preço é a metade do que era no ano passado. Toda a cadeia está sendo prejudicada, e aí começa a bater nos municípios muito influenciados pela orizicultura — chama a atenção Denis Dias Nunes, presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz-RS).
A saca de 50 quilos do cereal está cotada, na média de outubro, em R$ 58,79, valor 50,71% menor do que o registrado em igual período de 2024.
Outro ponto de atenção vem da pecuária de leite. Segundo a Fetag-RS, atualmente, os preços pagos ao produtor chegam a ficar abaixo de R$ 2. O aumento da entrada de produto importado aparece como um dos problemas a serem endereçados.
— Está mais do que na hora de agir. Há três anos alertávamos para o risco de colapso no setor, quando expusemos uma faixa de luto dizendo que estavam matando o produtor de leite — enfatiza Marcos Tang, presidente da Associação de Criadores de Gado Holandês (Gadolando).
Em plena safra, o trigo tem uma conjuntura que igualmente acende o alerta. Os valores do cereal estão recuando, diante uma safra global cheia — incluindo o volume colhido pela vizinha Argentina.
— O cenário é de preocupação porque os preços estão baixos e, no momento, não há uma luz que permita sonhar com preços melhores — observa Hamilton Jardim, coordenador da Comissão de Trigo da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).






