
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
No desfile dos grandes campeões da 48ª Expointer, cada passo na pista central do parque Assis Brasil, em Esteio, carrega uma vitória. Nesta sexta-feira (5), o primeiro a pisar firme na grama trouxe mais do que títulos: levou ao centro do evento a sua trajetória de superação.
O protagonista foi o boi Valente, que abriu o tradicional desfile honrando o próprio nome — depois de sobreviver à enchente de 2023. E lembrou, com sua presença firme, que às vezes o maior campeão é aquele que apenas continua em pé.
Adotado pela Universidade de Caxias do Sul (UCS) após ser resgatado da enchente, Valente se tornou símbolo da evolução na saúde animal. Ele teve uma fratura grave na pata dianteira, resultado de uma queda na região de Muçum, e seu destino parecia estar fadado ao sacrifício.
Graças ao trabalho conjunto do curso de Medicina Veterinária, de acadêmicos de Fisioterapia e do Instituto Hospitalar Veterinário da UCS, Valente ganhou uma segunda chance. Recebeu uma prótese, passou por reabilitação e hoje caminha com autonomia.
A prótese foi desenvolvida por uma empresa de Porto Alegre e adaptada ao animal com apoio técnico e acadêmico. De acordo com o professor Leandro Ribas, coordenador do curso de Medicina Veterinária da UCS, a solução é "inovadora para animais de grande porte, especialmente em desafios ortopédicos complexos”.
A participação de Valente no desfile foi viabilizada pelo vice-governador do Estado, Gabriel Souza, também médico veterinário.

Enquanto os grandes campeões desfilam, ostentando genética de ponta e títulos em pista, Valente lembrou o público da feira que há vitórias que não cabem em números nem em troféus. No caso da dele, é feita de empatia e ciência — e merece holofotes e aplausos.
No ano passado, as atenções foram voltadas para o Cavalo Caramelo.





