
A poucos dias do início do plantio da safra de verão, a medida anuciada pelo governo federal para a renegociação de dívidas tem uma grande vantagem em relação a qualquer outra proposta discutida: a celeridade. A liberação de recursos para alongamento da dívida será feita via Medida Provisória, o que traz como efeito a aplicação imediata.
Seja na proposta original de securitização ou no texto aprovado na Câmara e que tramita no Senado, o tempo de espera é o maior inimigo para quem precisa saber se terá ou não acesso a crédito para tocar a safra de verão.
— Achamos uma medida boa. Só é aquém (o valor) da necessidade, mas vamos abraçá-la com as duas mãos. Começaremos a plantar em 20 dias, e tem gente que não tem dinheiro para botar combustível nas máquinas — avalia Gedeão Pereira, presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).
A necessidade, mapeada em levantamento feito pela assessoria econômica da entidade junto a três instituições financeiras do RS, é de R$ 27,36 bilhões, como publicou a coluna. De toda forma, a Farsul reconheceu o esforço da União em chegar aos R$ 12 bilhões — a proposta inicial era de R$ 10 bilhões.
Em meio às negociações, gestadas no período da 48ª Expointer, também se ampliou o prazo de pagamento, dos iniciais sete para nove anos. O que se manteve, em relação à oferta original, foram as mesmas taxas de juro.
Presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS), Carlos Joel da Silva reforçou:
— Os recursos não vão atender a todos, mas é importante a medida.
Avaliação semelhante à do presidente do Sistema Ocergs/Sescoop, Darci Hartmann, que acrescentou ser importante, agora, "fazer a aplicação dessas medidas para depois ver a necessidade de ampliarmos os recursos" a fim de que todos os produtores possam ser contemplados.
De forma paralela, segue em tramitação no Senado o Projeto de Lei 5122, após a aprovação na Câmara dos Deputados, onde teve relatoria do deputado Afonso Hamm. Ele criticou a medida apresentada e defendeu a proposta em curso no Congresso como a solução concreta para a situação do endividamento no RS.
A manifestação de produtores no parque Assis Brasil, em Esteio, com espaço para coroas de flores, cartazes e vaias, mostra que há agricultores que compartilham essa avaliação.
Modelos e valores à parte, fica o reconhecimento de um cenário dramático deixado pelos sucessivos problemas climáticos no Rio Grande do Sul.
— Essas são as autoridades, os produtores — destacou o presidente da Gadolando e da Febrac, Marcos Tang, na cerimônia de abertura da feira.






