
A safra de inverno do Rio Grande do Sul avança com o potencial de bom resultado — acompanhado da expectativa de renda ao produtor, calejado por uma sequência de perdas causadas pelo clima. No 12º levantamento divulgado na quinta-feira (11) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita da estação do frio está estimada em 5,03 milhões de toneladas, o que representa leve redução de 0,8% sobre o resultado anterior. E reflete as projeções de queda na produção da maior partas das culturas de inverno, com a aveia e a canola sendo as exceções à regra. Nas demais (trigo, cevada e triticale), a safra menor tem relação direta com a redução de área semeada.
Por sua vez, esse cenário carrega a sequência de dois anos com problemas causados pelo tempo, que acabaram fazendo o agricultor rever o espaço destinado aos cereais. No trigo, a Conab aponta uma área de 1,15 milhão de hectares (-13,7%). O dado foi revisado para baixo em relação ao levantamento anterior, de agosto. A produção apontada é de 3,66 milhões de toneladas (queda de 6,3%).
— Finalizado o plantio, a Conab constatou que houve uma retração em relação à safra passada, muito em função de problemas climáticos nas últimas safras, o que acabou frustrando a produção de alguns produtores, e também da migração para outros cultivos de inverno — avalia Fabiano Vasconcellos, gerente de acompanhamento de safras.
Coordenador da Comissão de Trigo da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Hamilton Jardim sustenta que a área é ainda menor, entre 1 milhão e 1,05 milhão de hectares, no máximo:
— Desde 2022 não temos uma safra maravilhosa.
Até agora, o desenvolvimento da cultura, carro-chefe da estação, tem sido favorável, no geral. Diretor técnico da Emater, Claudinei Baldissera avalia que o "potencial produtivo em razão das condições climáticas é favorável".
— No ano passado, a esta altura (da safra) já se enfrentava mais dificuldade de trato cultural pelo excesso de chuva — completa Baldissera.
Conforme conjuntural divulgado na quinta-feira pela Emater, 55% da área cultivada com trigo está em fase de desenvolvimento vegetativo. Outros 30% estão na floração e 15% já em enchimento de grãos.
Outra cultura com boas perspectivas é a da canola, que inclusive teve aumento de área, de 58,8%. E igualmente tem tido um desenvolvimento favorável até aqui.






