
Em sua estreia na Expointer, a Minerva Foods — que recentemente adquiriu três unidades industriais da Marfrig no Rio Grande do Sul — chega à feira com uma estratégia clara: estreitar laços com os produtores gaúchos. Em um ano em que a pecuária promete ser o grande destaque do evento, a companhia marca presença com seus principais executivos da área de compra de gado e aposta em programas de relacionamento e incentivo à pecuária sustentável como pilares para ampliar sua atuação no Estado. À coluna, Fabiano Tito Rosa, diretor de Compra de Gado da empresa, detalhou os planos para o Rio Grande do Sul e o papel estratégico das novas plantas. Confira trechos abaixo.
Qual é a relevância de estar no Rio Grande do Sul?
A Minerva adquiriu algumas unidades, boa parte da Marfrig. Dentre elas, as três unidades aqui do Rio Grande do Sul. A gente não tinha operação ainda no Estado, então, foi a chegada da Minerva ao Estado. Essa aquisição faz parte da nossa estratégia de diversificação geográfica. E o Sul nos deu a oportunidade de explorar um mercado diferente. A gente já tem operação há um bom tempo no Uruguai, que tem uma certa similaridade. Também na Argentina, onde a gente explora as raças britânicas e busca entregar um produto de melhor qualidade. Com a chegada ao Rio Grande do Sul, a gente conseguiu trazer, inclusive, a marca: a Cabaña Las Lilas. Agora, a gente está com um trabalho muito focado aqui no Estado, com animais britânicos, castrados. Há duas linhas: uma de confinamento e outra de criação a pasto. E elas estão sendo bastante aceitas tanto no mercado interno quanto no mercado externo.
A aquisição é do final de 2024. Qual é o tempo já de operação?
O primeiro abate das unidades novas no Brasil começou em Bagé, no Rio Grande do Sul, no último dia de outubro. Depois a gente foi entrando com todas as outras plantas em operação.
Você falou nesse potencial de trabalhar com um gado que é diferente do resto do Brasil, onde tem a predominância do zebuíno. No Rio Grande do Sul, temos raças britânicas. Mas como que é a relação de oferta? Porque o volume da oferta de raças britânicas, proporcionalmente, é menor, né?
É, as raças britânicas, de fato, estão concentradas aqui no sul do Brasil. A gente consegue explorar produtos de qualidade, de valor agregado, com cruzamento industrial no Brasil Central. Mas são volumes pequenos e a escala de produção do Sul é pequena, em comparação a outros Estados produtores, como Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Pará. Isso traz, de fato, um pouco de limitação. Mas o Minerva trabalha o Uruguai, a Argentina e o Rio Grande do Sul como um conjunto. E aí, com a chegada do Rio Grande do Sul, nos permitiu expandir essa produção de alto valor.
E sobre os produtos: o animal criado a pasto tem entrado mais no mercado interno e o de confinamento no mercado externo?
Colocamos ambos nos dois mercados. Mas hoje você tem um maior direcionamento do grão para o mercado externo e da linha a pasto mais para o mercado interno. Porque os Estados Unidos, que é o grande provedor de carne de gado confinado para o mundo, está com um problema de produção. Com produção em queda, os custos aumentam. Então, os consumidores estão buscando outras opções. E aí os produtos de animal terminado em confinamento, têm entrado bastante no mercado externo, aproveitando esse gap a produção americana.
Quem é o público-alvo desse produto, quem está disposto a pagar por valor diferenciado?
Hoje o consumidor vem se sofisticando, se tornando cada vez mais exigente. É por isso que nos últimos anos aumentou muito os trabalhos de marca. A gente chama de nicho, quando se trabalha com um produto mais gourmetizado. É quando o produtor sai de um produto básico até o máximo que ele conseguir agregar de valor. Você pode ter uma diferença de 10% no preço. Conforme ele vai colocando padrão, agregando certificações... isso faz muita diferença na rentabilidade do produtor e nos dá a garantia de entregar um produto diferenciado lá na frente para o consumidor.
Vocês estão trabalhando também em parceria com os programas de certificação das raças britânicas. Tem a meta de fazer novas parcerias com esses programas?
As associações ajudam muito no fomento desse produto de qualidade e na prospecção dos produtores que podem atender. Então, a gente trabalha sempre junto às associações e nós somos parceiros do programa Carne e Angus Certificada há muitos anos. Todas as unidades da Minerva hoje são habilitadas pra atender o programa. Mas a nossa marca Cabaña Las Lilas incorpora qualquer raça britânica, desde que ela tenha o padrão de carcaça, idade necessária... Mas, sim, a gente mantém a certificação Angus pelo trabalho todo que a gente tem junto com a associação.
Nesse caso, vocês estão operando com o selo nas três unidades ou direcionando para uma aqui do Rio Grande do Sul?
A gente direciona para a unidade de Bagé. Onde a gente está produzindo, inclusive, a marca Cabaña Las Lilas Grainfed. É a unidade que recebe os animais de melhor padrão.
As plantas adquiridas são habilitadas para exportar aos Estados Unidos. Como o tarifaço impacta nisso? E como vocês estão vendo o momento da pecuária em relação a preços?
Quando houve o anúncio da tarifa de 50%, óbvio que assustou e causou um impacto na cadeia. Os Estados Unidos são o segundo maior mercado de exportação do Brasil. Só fica atrás da China. E vale lembrar que o Brasil exporta 35% da produção. Então não é pouco. E quando o segundo maior mercado enrosca, você tem um impacto. Até a cadeia entender como é que vão se comportar as vendas, onde eu vou buscar alternativas, assusta o mercado, existe uma certa pressão, os preços caem. Mas a cadeia foi se reorganizando. A gente buscou outras alternativas. Tem mercados antigos que tomaram uma boa parte desse volume, como é o caso da Rússia. Mercados novos, como é o caso do México, que cresceram bastante com isso. O Brasil tem acesso a muitos mercados. Esse é um trabalho que a cadeia e o governo se dedicaram muito nos últimos anos. Com isso, houve uma recuperação dos valores da arroba do boi gordo.
Nesse sentido, como devem ser os próximos anos da pecuária?
Quando a gente olha para boa parte do Brasil, foi um ano de custos bem encaixados para o produtor. Tanto é que os confinamentos estão muito cheios. O milho caiu muito neste ano e ajudou. Então, acho que a gente está tendo um ano bom para a pecuária. O Rio Grande do Sul passou períodos de clima bastante complicado. Até por isso que a gente entrou com uma série de programas de fomento e de suporte ao produtor para ajudar nesse momento difícil. Mas quando a gente olha para frente, e hoje a gente tem falado muito com o pessoal aqui na Expointer, tem que ser otimista. A produção mundial tende a cair ao longo dos próximos anos. Até pelo problema dos Estados Unidos, que é bastante grave. Vai demorar muito tempo para eles se recuperarem. China também com dificuldade de produção. Europa com muita dificuldade de produção. E criando mais dificuldades para importar. Isso deve fazer com que os preços na Europa subam. O Brasil também pode entrar aí numa fase do ciclo de produção mais ajustada. Isso cria aí um buraco, um gap em nível mundial que deve fazer com que os preços se valorizem, com que os preços subam. E isso acaba vindo remunerando toda a cadeia. Então, acho que a gente vai ter dois anos à frente, pelo menos 2026 e 2027, muito bons. E é hora de acreditar na pecuária e investir.


![Divulgação / Divulgação Direita] Ícaro Silva da Rosa Linck Fróes, de Canoas (RS) e [esquerda] Gonçalo Franke Franco, de Porto Alegre (RS), Olimpíada Internacional de Inteligência Artificial (IOAI). A 3ª edição da disputa ocorreu de 2 de agosto até este sábado (8), em Astana, capital do Cazaquistão.<!-- NICAID(16343006) -->](https://www.rbsdirect.com.br/filestore/3/7/9/9/6/1/6_38b88ff67826e8b/6169973_2b4b9a9c80b08d3.jpg?format=webp&h=270&w=406)
