
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Enquanto a irrigação ainda engatinha no Rio Grande do Sul, com apenas 3,6% das lavouras de soja e 16,3% das de milho cobertas pela tecnologia, São Borja avança em ritmo próprio. Na Fronteira Oeste, o município se destaca como o mais irrigado do Estado por pivôs (irrigação por aspersão): são 40 mil hectares abastecidos — metade da área total cultivada localmente com milho e soja (incluindo a safrinha). O desempenho foi revelado na Radiografia da Agropecuária Gaúcha 2025, lançada durante a 48ª Expointer.
Para o presidente do Sindicato Rural de São Borja, Tomas Olea, a liderança tem explicação geográfica:
— São Borja está em cima da Bacia do Rio Uruguai. Tem acesso facilitado à água dos rios Uruguai, Butuí e Camaquã, entre outros.
O secretário de Infraestrutura e Agricultura do município, Carlos Bestetti, complementa:
— A malha de mananciais é bem distribuída e é onde está concentrada a captação de água.
Além da geografia, há um fator econômico que impulsiona a irrigação em São Borja. Segundo Bestetti, cerca de 60% da irrigação local é de origem antrópica — proveniente de barragens construídas inicialmente para irrigar lavouras de arroz. Nos últimos anos, muitos produtores migraram para a soja, diante da rentabilidade mais atrativa.
— Isso explica por que São Borja possui uma área irrigada tão maior em comparação a outros municípios — esclarece o secretário.
Irrigação no Rio Grande do Sul
No Estado, o avanço ainda é gradual. Entre as safras 2023/2024 e 2024/2025, a área irrigada na cultura da soja cresceu 13,08%, totalizando 242 mil hectares com a tecnologia, de um total de 6,8 milhões de hectares. Já no milho, houve uma redução de 3,9%, chegando a 117 mil hectares irrigados, de um total de 718,2 mil hectares — provavelmente, migração de área para a soja.
Para o subsecretário de Irrigação da Secretaria Estadual da Agricultura, Paulinho Salerno, o crescimento tem relação direta com os eventos climáticos adversos cada vez mais frequentes e com o programa estadual de incentivo:
— O produtor vê a irrigação como um seguro agrícola.
No entanto, Salerno reconhece que o alto custo é um entrave para a adoção mais ampla da tecnologia. Carlos Bestetti corrobora:
— O custo de um pivô é o mesmo para quem tem 10 mil hectares ou cem mil hectares, o que pesa no bolso do produtor.
A terceira etapa do Programa Irriga+ RS deve ser lançada entre setembro e outubro. A iniciativa fornecerá um subsídio de 20% do valor do investimento, limitado agora a R$ 150 mil por projeto. Antes, era até R$ 100 mil.






