
A preocupação com o atual cenário do arroz no Rio Grande do Sul, maior produtor nacional, ganhou espaço na Expointer nesta segunda-feira (1). Foi em meio à programação do evento Campo em Debate que o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) apresentou o dado da intenção de plantio da próxima safra. E que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou a realização de novos leilões para a safra 2025/2026.
O espaço projetado para a cultura no Rio Grande do Sul é de 920,08 mil hectares, o que representa uma redução de 5,17% na comparação com o ano passado, quando foram semeados de 970,22 mil hectares.
Há variações do tamanho da diminuição, conforme a região do Estado. O menor percentual de recuo é o da Região Central, -2,49%. O maior, o da Planície Costeira Externa, -10,77%. A combinação de custos elevados e preços em queda, explica a diretora técnica do Irga, Flávia Tomita, pode ajudar a explicar essa decisão de diminuir a área:
— Há, sim, uma tendência de queda.
Entidades representativas avaliam que a redução possa ser ainda maior em razão da queda acentuada nas cotações — o preço da saca, segundo o indicador Cepea/Esalq, teve média de R$ 68,41 em agosto deste ano, enquanto que em igual mês de 2024, estava em R$ 117,57, uma diferença de 41,8%.
Com o argumento de trazer equilíbrio de preços, a Conab anunciou a liberação de R$ 300 milhões para os contratos de opção de venda (COV), ferramenta em que se faz uma espécie de trava do valor. O produtor que adere pode vender ao mercado se houver reação até a data prevista para a entrega.
— O preço vinha caindo na vertical. Quando sinalizamos a compra, estabilizou. E o governo também sinaliza: não quero que o preço caia muito — avalia Edegar Pretto, sobre a inciativa, realizada já para a atual safra.
A ferramenta, no entanto, não é unanimidade. Representantes de entidades do setor, questionam a eficácia.
— É um remédio no curto prazo, que vai ajudar alguns produtores, mas a médio e longo prazo, não é a melhor opção — avalia Domingos Velho Lopes, vice-presidente da Federação da Agricultura do RS (Farsul).
Na esfera estadual, há uma negociação para a suspensão da cobrança da taxa de Cooperação e Defesa da Orizicultura (CDO) por três meses. A proposta contempla ainda o não reajuste dos valores para 2026, explicou Eduardo Bonotto, presidente do Irga. Medida também buscada neste momento de desafio do setor.



