
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
O vento parece estar voltando a soprar a favor da olivicultura gaúcha. Depois de duas safras frustradas, o setor pode começar 2026 embalado por boas notícias no clima e expectativa de recuperação da produção. E, para quem depende da florada da oliveira, esse sinal muda tudo.
A projeção foi divulgada na segunda-feira (1), durante a 48ª Expointer, pelo presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), Flávio Obino Filho.
Conforme o dirigente, o inverno deste ano trouxe mais horas de frio do que qualquer outro nas últimas duas décadas — importante para uma cultura que depende da dormência para florescer com força. Agora, os produtores torcem por uma sequência de dias secos no período da floração, condição essencial para garantir a polinização.
— Até agora deu tudo certo, mas tem muita coisa ainda para acontecer — reforça Obino.
De acordo com Paulo Lipp, coordenador do Programa Estadual de Desenvolvimento da Olivicultura, também presente no encontro, a produção gaúcha pode chegar, "tranquilamente", a 750 mil litros de azeite de oliva na próxima safra:
— Considerando que o Estado tem 5 mil hectares cultivados em produção, é uma média realista. Pode chegar, inclusive, a mais.
Hoje são 10 mil hectares de oliveiras plantadas no país — 6,5 mil deles no RS, com 5 mil já em estágio produtivo.
O tombo das últimas safras
Com o Rio Grande do Sul puxando a queda, a produção nacional de azeite de oliva despencou depois do pico histórico de 2023, quando o país atingiu 640,3 mil litros. Em 2024, foram 343,1 mil litros; e em 2025, apenas 240,3 mil litros.
No Estado, onde se concentra mais da metade da produção, o retrato seguiu o mesmo enredo: 580,2 mil litros em 2023 e cerca de 190 mil litros nas duas safras seguintes. O motivo? O excesso de umidade, em ambos os casos.
— Ficamos frustrados, claro. Pensávamos em um milhão e colhemos menos de 200 mil — admitiu Obino.
Durante a divulgação da projeção para a próxima safra, o presidente do Ibraoliva também reconheceu que o desafio não está apenas fora da porteira. O clima é parte do problema — e da solução —, mas os ajustes também deevem ser internos. Produtores e técnicos mergulham num processo de revisão profunda: cultivares, manejo, poda, irrigação, polinização.
Alguns experimentam cobrir as plantas com telas para proteger da umidade; outros conduzem pesquisas privadas em campo. A Secretaria Estadual da Agricultura, acrescenta Lipp, iniciou um trabalho de monitoramento fenológico com quatro variedades, comparando resultados em diferentes regiões.
— Temos que entender o que deu certo e o que ainda precisa amadurecer. A escolha das cultivares foi acertada? O manejo está adequado? As respostas estão dentro da lavoura, não fora dela — diz Obino.
Com pouco mais de 20 anos em escala comercial, a olivicultura brasileira envolve, hoje, cerca de 550 produtores em mais de 200 municípios e 70 lagares em operação, sendo 29 no RS. Só Encruzilhada do Sul responde por mais de mil hectares plantados — o maior polo do país.


