
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Produto que tem como principal destino os Estados Unidos, o sebo bovino brasileiro também está na mira do tarifaço. Utilizado como matéria-prima pelas indústrias de alimentação animal, higiene, limpeza e biocombustíveis, o derivado da indústria frigorífica pode ter suas exportações impactadas pelas novas medidas comerciais.
Segundo Pedro Bittar, presidente do Conselho Diretivo da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA), ainda não houve queda nos embarques no primeiro mês de vigência da tarifa.
— Estávamos com contratos já fechados. Alguns compradores arcaram com um custo 50% maior, enquanto outros optaram por dividir a despesa para garantir a entrada do produto nos EUA. Não é que compense, mas estamos honrando os contratos para manter a relação com os clientes — explica Bittar.
Em 2025, o Brasil já exportou mais de 348 mil toneladas de sebo bovino para os Estados Unidos — volume superior a todo o exportado em 2024, que somou 303 mil toneladas. Do total embarcado neste ano, 7% teve origem no Rio Grande do Sul.
Para os próximos meses, especialmente setembro, o cenário é incerto:
— Se não houver uma negociação entre os governos brasileiro e norte-americano, teremos que esperar para ver o que acontece. Mas os EUA precisam desse sebo, principalmente para redução de emissões de gases de efeito estufa — avalia Bittar.
Enquanto aguarda uma definição oficial, o setor produtivo brasileiro tem buscado novos mercados para absorver o volume excedente, com destaque para países como Singapura e Reino Unido, que abriram suas portas nas últimas semanas para o produto.
Atualmente, o Brasil produz cerca de 1,3 milhões de toneladas de sebo bovino por ano. Deste volume, 24% da produção nacional é exportada. Além disso, 15% é destinado à fabricação de biodiesel. O restante é dividido entre as indústrias de higiene, limpeza química e ração animal.





