
Os números do PIB do Rio Grande do Sul no 2º trimestre deste ano, divulgados nesta quarta (24) pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE) da Secretaria de Planejamento, mostram a intensidade do efeito de uma quebra da safra. Em qualquer comparação feita — com o trimestre anterior, o de 2024 ou o acumulado no ano —, o recuo da agropecuária evidencia o estrago causado por mais uma estiagem.
— A deste ano ano pegou a soja, que tem um peso muito maior do que as outras culturas, concentrado no segundo trimestre — explica o economista Martinho Lazzari, da Divisão de Análise Econômica do DEE.
É de abril a junho que a safra do grão mostra sua força, para o bem e para o mal, na economia gaúcha. Estima-se que a soja represente, na média do segundo trimestre, cerca de 70% do desempenho da agropecuária. No ano, um terço.
Com tamanha relevância, a redução de 25,2% na produção da oleaginosa puxou para baixo o resultado econômico. Economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Antônio da Luz reforça que a perda da agricultura se propaga para outros segmentos, independentemente da causa, embora os dados mostrem um efeito maior da falta de chuva.
— Se a Arábia Saudita e Israel plantam soja, é uma irresponsabilidade estratégica aceitarmos esse tipo de perda. Tem de se tornar inaceitável, se não vamos ficar para trás — ressalta o economista sobre a necessidade de investimento em ações para minimizar os efeitos da estiagem.
Armazenagem de água e irrigação são algumas das ferramentas disponíveis para o enfrentamento da escassez de chuva. Que no RS tem sido recorrente: a última safra cheia foi em 2020/2021. Depois, veio uma sequência de estiagens intercalada pela tragédia da enchente em 2024.
— Não podemos mudar o clima, a gente precisa se adaptar. A sociedade precisa refletir — acrescenta da Luz.

