
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
A 48ª Expointer se encerra neste domingo (7), no parque Assis Brasil, em Esteio, com um contraste que chama atenção: público recorde e vendas em queda acentuada. O campo veio, olhou, circulou — mas comprou menos.
Foram R$ 4,4 bilhões em negócios até as 15h, número que representa uma queda de 45,7% em relação ao ano passado. Já os corredores lotados, mesmo nos dias úteis, entregaram outro tipo de recorde: mais de 1 milhão de visitantes, uma alta de 52,57%.
— Nunca se teve média de 100 mil pessoas por dia. Foi histórico — celebrou a subsecretária do parque, Elizabeth Cirne Lima.
É como se a feira tivesse sido a vitrine perfeita, mas com vitrines olhando para vitrines. O movimento foi intenso, mas o caixa sentiu.
Clima, endividamento e tarifaço: a trinca do freio
A conta é simples, mas dura: menos produção, menos confiança, menos compra. Edivilson Brum, secretário estadual da Agricultura, foi direto ao ponto na coletiva de encerramento da feira deste ano:
— Os eventos climáticos fizeram com que produtores não colhessem aquilo que esperavam.
Mesmo com anúncios do governo federal considerados positivos, a ajuda ficou aquém da necessidade. O produtor — endividado, cauteloso e com um olho no céu e outro no bolso — segurou o investimento.
E no setor de máquinas e implementos, essa freada virou quase um cavalo de pau, como já era esperado. Foram R$ 3,7 bilhões em vendas, contra R$ 7,4 bilhões no ano anterior. Queda de 50%.
— Além do endividamento, o tarifaço reprimiu o comprador. Ninguém sabe o que vem pela frente — avaliou Ana Paula Werlang, diretora-executiva do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers).
Mas ela mesma faz uma ponderação: o setor segue vivo, abastecendo outros Estados, mesmo que o Rio Grande do Sul esteja com o freio puxado.
Outro dado que acendeu o alerta foi a origem dos compradores. Quase 60% das negociações vieram de fora do Estado. O número, embora revele a relevância nacional da Expointer, também traz inquietação.
— Isso afeta indústria e comércio locais — pontuou Domingos Velho Lopes, vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).
Na contramão do freio, agricultura familiar acelera
Se no mundo das máquinas o cenário foi de cautela, na agricultura familiar o clima foi de festa. O pavilhão bateu recorde: R$ 13,6 milhões em vendas, um salto de 25% na comparação com 2024.
Entre geleias, embutidos, cachaças e biscoitos, os pequenos produtores mostraram que têm força — e público fiel. Ainda assim, o vice-presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), Eugênio Zanetti, lembra que a crise no campo também respinga nesse setor:
— A agricultura familiar não está isolada. Também sente os efeitos do agro em dificuldade.
Os números da 48ª Expointer
- Animais: R$ 15,4 milhões, redução de 18,5%
- Artesanato: R$ 2 milhões, aumento de 33,33%
- Comércio: R$ 15,8 milhões, redução de 66,17%
- Agroindústria Familiar: R$ 13,6 milhões, aumento de 25%
- Máquinas e implementos agrícolas: R$ 3,7 bilhões, redução de 50%
- Automobilístico: R$ 591,8 milhões, manutenção
Fonte: Governo do Estado




