
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Em meio ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos, o setor brasileiro de carne bovina encontra um respiro vindo do outro lado do mundo. A China decidiu prorrogar por três meses a investigação aberta em dezembro do ano passado sobre o aumento das importações da proteína de países como o Brasil.
Segundo o Ministério do Comércio chinês, a extensão do prazo se deve à "complexidade do caso". À coluna, o advogado Welber Barral — que representa frigoríficos brasileiros no processo — classificou a medida como um procedimento "normal" dentro das regras internacionais:
— O próprio acordo com a OMC (Organização Mundial de Comércio) prevê a prorrogação da investigação para que se possa examinar toda a documentação enviada pelos países.
Para o setor produtivo brasileiro, a decisão trouxe alívio em um momento delicado, como destaca Barral:
— O setor está envolvido com a negociação com os Estados Unidos. Então é uma preocupação a menos, pelo menos agora.
Entenda o caso
A investigação conduzida por Pequim tem como foco o aumento das importações de carne bovina estrangeira entre 2019 e 2024. O processo foi aberto após um pedido de salvaguarda apresentado por produtores chineses, que alegam prejuízos causados pela concorrência internacional.
Representada pelo escritório Barral Parente Pinheiro, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) tem argumentado que não houve um surto repentino de exportações brasileiras, mas sim um crescimento contínuo — resultado do aumento da demanda e da renda na China, além da falta de autossuficiência do país na produção de carne bovina.
Caso a investigação conclua que há um crescimento descontrolado nas importações, a China poderá aplicar sobretaxas sobre a carne estrangeira, o que afetaria diretamente as exportações brasileiras.




