
Com seis vinícolas em quatro continentes, a Chandon busca expandir os horizontes da produção e alcançar novas fronteiras ao sabor das borbulhas. Entre as apostas mais recentes estão vinhedos na China e na Índia, as duas maiores populações do planeta. Em passagem pelo Brasil, a diretora global da marca, Morgane Point-Bruyns conversou sobre os desafios — e os benefícios — de cultivos em pontos diferentes. Confira trechos da entrevista ao Campo e Lavoura da Rádio Gaúcha.
Existe diferença no cultivo das vinícolas conforme a região?
Sim. Temos a sorte de ter o maior vinhedo mundial dedicado 100% à elaboração de vinhos espumantes de qualidade. As seis vinícolas ao redor do mundo somam 1,4 mil hectares em quatro continentes: na Argentina, no Brasil, na Califórnia, na Austrália, na Ásia e na China. Cada uma tem um ecossistema próprio, único. Há diferenças e similaridades. No Brasil e a na Índia, estamos em ecossistemas subtropicais. O aprendizado que colhemos no Brasil será útil para os colegas da Índia e vice-versa. O mesmo acontece com a Austrália e Califórnia. São dois ecossistemas em climas temperados, mas com umas grandes problemáticas de falta de água, de seca absolutamente desastrosa. E o mesmo entre a China e a Argentina, vinhedos localizados em desertos de altitude, onde a amplitude térmica entre o verão e o inverno é realmente muito grande. E o mesmo entre a noite e o dia. Há similaridades, mas tem também grandes diferenças entre os nossos vinhedos, e o aprendizado que colhemos serve para um e para outros.
Por que ter vinícolas na China e na Índia?
O que estamos fazendo na China e na Índia desde 2013 e 2014 é uma jornada de pioneirismo que, temos certeza, colheremos os frutos daqui 30 anos. Vou te dar um exemplo. A Chandon Brasil foi criada em 1973, há 52 anos. Obviamente, não colhemos os frutos nas primeiras décadas, estamos colhendo hoje, 50 anos depois. Então, sabemos que é uma jornada longa, porque são países que não têm uma tradição, um hábito de consumo estilo europeu, vamos dizer assim. Estamos apostando, em uma população que é a maior do mundo, sendo a China e a Índia são as maiores do mundo, mas com hábitos que estão evoluindo. Tem uma globalização do consumo que faz com que tenha um interesse por vinhos em regiões do mundo onde não era costume tomá-los. Eespumantes, em particular. é plantar as sementes hoje, para colher daqui, calculamos ainda uns 15 anos, 20 anos, e veremos dentro desse tempo como evolui realmente a penetração dessa categoria do vinho espumante nesses países em particular.
Onde imagina que a produção de espumante estará em uma década?
O céu é o limite. Se analisarmos o mercado mundial de borbulhas, a tendência é de forte crescimento há duas décadas. E não mostra sinais de parar. Temos pesquisas de mercado que indicam que o consumidor tem a cada mais vontade de tomar vinho com borbulha, mas não só vinho e espumante. Drinks borbulhantes. Vou te dar um exemplo. Lançamos neste ano no Brasil o Chandon Garden Spritz. O que é? É simplesmente um Chandon Brut, com licor de laranja macerado 100%, sem nenhum aditivo. E está conhecendo um boom fenomenal de vendas ao redor do planeta. O céu é o limite para o vinho e espumante, tanto sendo tomado como um brut, tradicionalmente, em celebrações, como em drinks.
Como escolher o espumante?
Eu diria, experimente. Teste, não tenha medo. O rótulo é só uma etiqueta com o nome. O que tem dentro da garrafa pode ser do seu gosto ou não. Então, tem de experimentar, achar qual é o seu paladar. E tem espumante para todos os gostos. Desde o mais brut, um rosado, rosé ou um branco. Tem até espumante vermelho, tinto, sabe? Tem de tudo e para todos os gostos. Então, experimente. O meu único conselho é não se restringir a rótulos, a pessoas que te dizem: "o brut é o melhor". Talvez não seja o melhor para você. E também depende do que você come. Tomar um espumante brut com uma sobremesa não tem nada a ver. Porque a doçura da sobremesa, ainda mais no Brasil, onde a gente gosta de açúcar, não tem nada a ver com o brut que tem 6 gramas, 10 gramas de açúcar na garrafa. Vai ter ali um conflito de gostos que o consumidor não apreciará. Então, experimente. Tem um mundo de possibilidades a ser explorado.




