
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Ainda é cedo para saber se haverá impacto no preço do chocolate nas prateleiras dos supermercados. Para a indústria de cacau brasileira, no entanto, uma coisa já está clara: o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem gosto amargo — e pode custar caro ao setor produtivo.
A avaliação é da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), que divulgou nesta semana uma estimativa de perdas de até US$ 36 milhões ainda em 2025, caso se mantenha a taxação de 50% sobre a amêndoa brasileira, prevista para entrar em vigor nesta quarta-feira (6).
De acordo com Anna Paula Losi, presidente-executiva da AIPC, a sobretaxa pode inviabilizar a exportação de produtos derivados, como manteiga de cacau — ingrediente na fabricação de chocolates — e cacau em pó — utilizado em achocolatados e biscoitos:
— O custo para nós ficaria muito alto, e o mercado americano conseguiria essa manteiga em outras origens.
Os Estados Unidos são destino de 18% das exportações brasileiras de cacau. Só no primeiro semestre de 2025, o país importou 6 mil toneladas, totalizando US$ 74 milhões em embarques.
E é justamente essa retração das vendas externas, com um excedente de amêndoas no mercado interno, que poderá acabar afetando toda a cadeia produtiva, continua a dirigente:
— A redução da demanda, em algum momento, também vai chegar ao produtor de cacau e poderá impactar (para baixo) o preço no mercado interno.
Procurada para entender o possível efeito da queda do preço do cacau no chocolate, a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) disse que não se pronunciará sobre o assunto até que o impacto seja quantificado.



