
A 48ª Expointer começou com a parceria do tempo. Sob sol e com temperaturas acima dos 20ºC, a feira atraiu o público e fechou o primeiro dia com recorde de 119.539 pessoas, um recorde para o dia de abertura. Mas em novo ano marcado por estiagem, efeitos de tarifaço e endividamento, os desafios à produção também marcam o evento. Em entrevista ao Campo e Lavoura, o governador Eduardo Leite falou sobre o momento e as expectativas com a feira. Confira trechos abaixo.
Em um cenário de nova estiagem, com quebra de safra, e efeitos do tarifaço, como o Estado chega a essa Expointer?
Claro que tem muitos desafios, desde o da enchente que, embora tenha ficado lá no passado, ainda deixa marcas, ainda estamos superando isso. A estiagem que se passou, esse ambiente geopolítico e tarifário também tendo seus impactos. Mas eu considero que é nesses momentos que a gente tem de se encontrar em espaços como o que a Expointer proporciona. Todos os agentes dessa grande cadeia do agronegócio. Desde o poder público até o privado. Os bancos, os financiadores, os produtores rurais de todas as cadeias da pecuária, da produção de grãos, da indústria ligada ao setor de alimentos. Todo mundo que vai estar circulando para a gente poder, nessa interação, encontrar caminhos para superar os desafios do presente. No ano passado, mesmo em um ambiente difícil, porque o aeroporto estava fechado, a logística muito comprometida, decidimos fazer uma Expointer naquele contexto desafiador, porque sabíamos que era importante para injetar ânimo no Estado e movimentar negócios. E houve um atendimento expressivo de público, mais de 600 mil visitantes, mais de R$ 8 bi de movimentação em negócios. Então, mesmo que o momento tenha desafios, pós-estiagem e ainda com o ambiente das tarifas, tenho certeza de que a Expointer se revelará uma oportunidade importante, não apenas de negócios, mas também de apoio mútuo.
O produtor do Rio Grande do Sul segue na busca por uma solução para o endividamento. De que forma o senhor vê esse assunto entrando na feira, considerando que tem um projeto tramitando no Senado?
Teve a votação na Câmara dos Deputados, aguardamos a votação no Senado. Conversei recentemente com os senadores, pedindo que se movimente o mais rápido possível, que sejam designados os relatores e avance essa medida, que vai usar recursos do Fundo Social para permitir renegociação da dívida dos nossos produtores rurais. Tenho muito boa expectativa, acho que o ambiente no Congresso é bastante favorável para a aprovação e, naturalmente, envolve ainda a sensibilização do próprio governo federal para a operacionalização de um programa de renegociação das dívidas. A Expointer ajuda a amplificar também essa percepção política sobre o assunto. Tenho muita confiança de que vai significar algum tipo de renegociação. Talvez não seja tudo aquilo que se sonhava e buscava originalmente, mas algo robusto que permita aos produtores recuperarem capacidade de tomar crédito, financiar as lavouras e tocar a vida em frente. Do lado do governo do Estado, temos feito os esforços possíveis. Por exemplo, recentemente, aprovamos R$ 150 milhões colocados no Banrisul para permitir a postergação das dívidas dos produtores no Banrisul. O nosso fôlego é menor do que o do governo federal para poder fazer uma extensão disso para todos os produtores. Por isso trabalhamos muito politicamente no Senado agora, para permitir essa aprovação, avançar nesse tema. E a Expointer, naturalmente, vai trazer luz também sobre essa questão.
E com relação ao programa Irriga + RS, de subsídio à adoção do sistema. Haverá uma terceira etapa?
É a nossa direção. Vamos sucedendo e aperfeiçoando as etapas, melhorando processos para que o programa cumpra a sua missão. Trabalhamos em duas frentes. A desburocratização de processos de irrigação, de licenciamento para a reservação de água. E o financiamento. Na etapa do financiamento, o Irriga + se propôs justamente a fazer uma subvenção para os produtores. O Estado paga parte do custo, 20% do custo de implantação de um programa de irrigação nas lavouras. E vamos interagir com o setor do agronegócio para identificar sempre, não apenas quantos recursos mais devem ser aportados, vamos continuar aportando, é prioridade para o Estado. Mas também que tipos de melhorias de processos podemos fazer para poder atingir os objetivos. Além de fazer os investimentos nas grandes barragens. Eu estive visitando recentemente a barragem do Jaguari e também temos a do Arroio Taquarembó, na Região Sul, investimentos monumentais feitos pelo Governo do Estado, de quase R$ 500 milhões, que permitirão, a partir daquele grande volume de reservação de água, ativar e desenvolver uma região mais deprimida economicamente, para desenvolvimento também de produção de grãos.
Mas devemos ter uma terceira etapa?
Vamos caminhar para isso.





