
Vem de uma fala do ministro da Agricultura na apresentação do Plano Safra 2025/2026 a sinalização de que o problema do endividamento do Rio Grande do Sul segue no radar do governo federal. Carlos Fávaro falou sobre a publicação da portaria, nesta terça-feira (1), que cria um grupo de trabalho para tratar do tema. Na constituição estão entidades representativas como as federações da Agricultura (Farsul), dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS), Famurs, as secretarias estaduais da Fazenda e da Agricultura, Organização Brasileira das Cooperativas (OCB) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
— Publicamos o decreto que estabelece o grupo de trabalho, para estruturarmos definitivamente a dívida daqueles produtores, homens e mulheres que sofrem com as mudanças climáticas — disse Fávaro ao mencionar a situação dos gaúchos.
Logo em seguida, emendou:
— Tá aí a prova de que o clima mudou, é o RS, que já foi o campeão brasileiro da produção de grãos, fibras e carnes, e hoje com tantas dificuldades.
A fala veio enquanto o ministro mencionava os descontos (em taxa de juro) para agricultores com boas práticas agrícolas. Presente na cerimônia em Brasília, o superintendente do Ministério da Agricultura do RS, José Cleber Souza complementou, sobre o grupo de trabalho:
— Terá como função propor soluções estruturais, identificar recursos para financiar a repactuação das dívidas, incluindo mecanismos de adaptação às alterações do clima — afirma Souza.
O anúncio também repercutiu na apresentação dos números do cooperativismo gaúcho. Presidente do Sistema Ocergs, Darci Hartmann frisou a necessidade de resolver o passivo para viabilizar o acesso ao crédito para a próxima safra:
— Os estoques das dívidas ainda não foram resolvidos. Precisamos deixar claro que se não houver uma solução, tem produtor que não conseguirá plantar.
Paulo Pires, presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do RS (Fecoagro), resgatou o histórico recente que levou os produtores do Estado à situação sui generis.
— Temos a necessidade de política pública específica para o RS — reforçou, lembrando que não é objetivo primário das cooperativas agropecuárias financiar o produtor.



