
Há uma janela de oportunidade para o arroz produzido no Brasil — e majoritariamente no Rio Grande do Sul. São as exportações do cereal que, neste ano, têm um papel importante na tentativa de equilibrar os preços. O espaço que está aberto é o do período antes da entrada da safra americana do cereal, a partir de setembro.
— Temos de lembrar que estamos em uma temporada de ampla oferta. Em que o grande desafio seria o escoamento — lembra Evandro Oliveira, analista de arroz da Safras & Mercado.
É uma referência à safra cheia colhida não só no RS, mas em todo o Brasil e também em países do Mercosul. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgados em julho mostram um excedente de 1,82 milhão de toneladas, considerando a produção (12,32 milhões de toneladas) e o consumo (10,5 milhões de toneladas). Isso sem considerar as importações.
Embarques já realizados e outros previstos — com mais de 200 mil toneladas registradas para embarque julho — estão entre os fatores para a melhora do cenário, explica Oliveira:
— Julho iniciou com relativa estabilidade (de cotações). Tivemos quatro embarques importantes do arroz em casca. Com esse avanço, o mercado vai ganhando fôlego, vem dando sinais de recuperação.
Conforme o indicador Cepea/Irga, no acumulado de julho, a cotação acumula alta de 2,7%.
Outro ponto a ser considerado é a postura retraída de produtores (diante dos valores em queda), que fez com que o mercado tivesse pouca liquidez.
Foi justamente para dar fluxo às vendas dos produtores associados que a Cooperativa Arrozeira Palmares, com sede em Palmares do Sul, buscou a exportação, a primeira da história. Foram embarcadas 70 mil sacas de arroz.
— A pior coisa que tem para o produtor é a falta de liquidez. Quando fizemos esse movimento (de exportação), estava muito baixa. Deu uma aliviada naquele momento — explica José Mathias, presidente da cooperativa.




