
O decreto que implementa o tarifaço para produtos brasileiros que entram nos Estados Unidos deixa para o agronegócio provavelmente um dos efeitos mais pesados. Para o setor, a exceção não virou regra.
Ou seja, a lista de 694 itens que não terão a taxa aplicada inclui poucos produtos agrícolas. É claro que é importante essa excepcionalidade, já que estamos falando de itens que têm no mercado americano um destino representativo, como o suco de laranja e dos produtos florestais.
Ficam, no entanto, outros tantos que terão os negócios inviabilizados na prática, em razão do percentual. Entram nessa relação, por exemplo, o café, a carne bovina e o tabaco.
— Para os produtos do agronegócio o tarifaço vai ser muito forte, são poucas exceções — reforça Renan Hein dos Santos, analista de Relações Internacionais da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).
Há ainda de se considerar os segmentos do agro com grande exposição ao mercado dos EUA. São aqueles que percentualmente podem não ter uma representatividade tão grande na pauta de exportação, mas com grande dependência desse destino. É a realidade, por exemplo do setor apícola: 75% dos embarques do Brasil de mel são para o território americano. Considerando o recorte do RS, esse percentual é de 50%, apenas para citar um exemplo.
A entrada em vigor das tarifas, na prática, passa a ser no 6 de agosto, um pouco depois da data anteriormente prevista. Esse prazo "extra" não traz, no entanto, grandes perspectivas de que se avance em negociações diplomáticas capazes de deter a implementação das tarifas.
— Parece muito improvável, o Trump já deu uma suavizada importante, olhando o todo e não só o agro. Não vejo ele recuando mais ainda tão rápido — avalia Santos.

