
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Entre os dados divulgados nesta quinta-feira (10) no 10º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), chamam a atenção os reajustes feitos até o momento — que, aliás, são de praxe, à medida que a safra avança — nos cultivos da estação de inverno. Principal deles, o trigo deve ter uma redução maior do que a inicialmente prevista, de 10,2% em área neste ano, totalizando 1,2 milhão de hectares, e de 2,6% em volume, alcançando 3,8 milhões de toneladas. Em levantamento anterior, a instituição previa números um pouco maiores: 1,28 milhão de hectares e 4 milhões de toneladas.
Na cevada, também houve reajustes. A Conab agora estima uma redução de 7,6% em área, com 31,7 mil hectares, e de 11% em volume, com 102,4 mil toneladas. Antes, a projeção era de 34,3 mil hectares e 110,8 mil toneladas.
De acordo com o presidente da Conab, Edegar Pretto, a redução se deve ao excesso de chuva do período:
— Estamos acompanhando com muita atenção as chuvas no momento em que está sendo feito o plantio. Possivelmente pode haver a necessidade de replantio que pode, no final das contas, desestimular os produtores.
Além da questão climática, o setor produtivo atribui a esses números o endividamento do produtor gaúcho.
Gerente de Acompanhamento de Safras da Conab, Fabiano Vasconcellos, no entanto, diz que não é possível fazer essa correlação direta:
— O RS vem de duas safras frustradas, alinhado com questões mercadológicas da cultura, o que acaba desestimulando a cultura. Isso não é um fenômeno só do Rio Grande do Sul.



