
Uma compra de até 110 mil toneladas de arroz da safra recém colhida por meio do chamado contrato de opção de venda. Essa é a medida de apoio apresentada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta terça-feira (15). A ferramenta surge como alternativa à busca de melhores condições de preço ao cereal, que acumula um recuo expressivo nas cotações — na comparação de julho com igual mês de 2024, a queda é de 41,3%, de acordo com o indicador Cepea/Irga.
Para viabilizar essa compra serão utilizados R$ 150 milhões — uma realocação de recurso que estava disponibilizado para as Aquisições do Governo Federal (AGF).
— É um estímulo à produção, uma questão excepcional. No contrato de opção de venda, o produtor se habilita a essa venda e, se no final de agosto, avaliar que o mercado reagiu, pode optar em vender para o mercado — explicou o presidente da Conab, Edegar Pretto.
O contrato de opção de venda prevê valores para a saca de 50 quilos de arroz acima dos praticados no mercado. Para entrega em agosto, R$ 73, em setembro, R$ 73,48 e, para outubro, R$ 73,95. A média de preços atualmente, conforme dado da autarquia, fica em R$ 65,56.
— Em um determinado momento, sentimos que os preços estavam muito deprimidos, e achamos que precisávamos tomar uma atitude. É uma alternativa a mais para os produtores — avalia Denis Dias Nunes, presidente da Federação das Associações dos Arrozeiros do Estado (Federarroz-RS).
A negociação para a medida foi aberta no início da junho, a partir de reunião realizada também na superintendência da Conab no RS. Na ocasião, cogitou-se a adoção do contrato de opção de venda. Com isso, iniciou-se uma negociação para viabilizar a realocação dos recursos.
— O setor vem manifestando preocupação. Não interessa para a indústria trabalhar com preços depreciados, muito menos com a oscilação de preços — reforçou Andressa Silva, diretora-executiva da Associação Brasileira da Indústria de Arroz (Abiarroz).
No ano passado, o governo federal havia liberado R$ 1 bilhão para a compra de 500 mil toneladas de arroz com o mesmo mecanismo. Na ocasião, no entanto, o produto estava mais valorizado, o que gerou baixo interesse dos agricultores. Foram negociadas apenas 91 mil toneladas, com R$ 120 milhões aplicados.
O presidente da Conab disse ainda que já está em preparação o oferecimento de contratos de opção de venda para a próxima safra (2025/2026).





