
Na soma da tarifa que já existia com a que entra em vigor no dia 6, a carga tributária total da carne bovina brasileira para entrar no mercado americano passa de 76% (alíquota atual de 26,4% mais os 50%). Na prática, um percentual que torna inviáveis as exportações, aponta a Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec). E que interrompe a estimativa de fechar o ano de 2025 com um volume de 400 mil toneladas embarcadas para os Estados Unidos.
— O Brasil exporta para diversos países (157, no total), mas no volume esperado para este ano, e o produto específico, não existe nenhum mercado que absorva tudo — pontuou Roberto Perosa, presidente da Abiec.
Os embarques projetados para os EUA, segundo principal mercado da carne bovina brasileira, atrás apenas da China, representariam um crescimento de 74,6% na comparação com a quantidade negociada em 2024. E o que à primeira vista parece um problema da indústria, pode vir parar no prato do consumidor brasileiro.
— O interessante é que se mantenham as portas abertas da exportação, para que não tenha efeitos como tivemos em diversos outros países, de uma queda brusca inicial (de preço no mercado interno) e depois a falta de carne e uma subida muito rápido — ponderou o presidente da Abiec, ao ser questionado por jornalistas.
Fora da lista de exceções, o setor de carnes reforça a importância do diálogo. Perosa complementou que manter mercados abertos é importante para "a estabilidade no mercado interno".
E é aí que entra o seu churrasco. O que o dirigente quer dizer é que, se em um primeiro momento, o preço tende a cair pela oferta ampliada, no médio prazo isso se converte em falta de rentabilidade ao pecuarista.
E isso, por sua vez, se transforma em desestímulo à atividade. O resultado é um ajuste na produção. Com oferta menor, a tendência é de preços maiores.



