
Foi a força do apetite americano que empurrou o Brasil para um crescimento de 192,5% nas exportações de ovos no primeiro semestre de 2025, considerando todos os destinos. Das 24,91 mil toneladas embarcadas de janeiro a junho, mais da metade — 15,2 mil toneladas — foram para os EUA. Dada a relevância atual do país na rota da proteína, o cenário da taxação de 50% sobre os produtos brasileiros é monitorado com atenção.
— É preciso sentar para achar um denominador comum. A retórica política tem de ficar ao lado da economia — afirma Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Em nota, a entidade disse acompanhar "com preocupação" as tratativas entre os dois governos." e ponderou que. "apesar da balança comercial ser deficitária para o Brasil, os embarques de proteína animal para os EUA têm relevância para as cadeias produtoras, gerando divisas importantes para a sustentabilidade dos setores exportadores".
No caso do ovo, foi uma conjuntura singular que levou os americanos a ampliarem as compras de ovos do Brasil. O mercado americano enfrentou escassez da proteína após a multiplicação de casos de influenza aviária.
Para garantir o abastecimento, o país recorreu ao produto brasileiro. Situação que torna mais imprevisível a avaliação do efeito de um eventual tarifaço da proporção sinalizada pelo presidente Donald Trump. O fato é que a taxação traz potencial impacto.
O presidente da ABPA observa que o setor tem condições de redirecionar a oferta de ovos, em eventual cenário de redução de compras dos EUA, mas "não no nível de preços e na quantidade" que esse mercado absorve.
Na carne suína, os americanos ocupam a 12° posição entre os principais destinos das exportações — entre janeiro e junho, importaram 14,9 mil toneladas, gerando receitas de US$ 31,6 milhões. Maior exportador mundial de carne de frango, o Brasil não realiza embarques dessa proteína para os EUA.


