
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Diferentemente da carne bovina brasileira comum, a premium deve escapar dos efeitos do tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. E, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a razão para isso está nos hambúrgueres — tradicional proteína do cardápio dos norte-americanos.
Segundo a entidade, o Brasil exporta aos "States" o dianteiro do boi, que vai direto para a receita do item processado. Aliás, quase 70% da carne bovina consumida nos Estados Unidos é em forma de hambúrguer — padrão de consumo diferente do brasileiro.
De janeiro a junho de 2025, a Abiec calcula que o Brasil tenha exportado 181,4 mil toneladas de carne bovina aos norte-americanos, volume 112,6% maior em relação ao mesmo período do ano passado, gerando uma receita de US$ 1,04 bilhão, um aumento de 102%.
Isso fica evidente no principal programa de certificação da proteína no Brasil, a Carne Angus Certificada. Das 2,6 mil toneladas exportadas, apenas 1,5% são enviadas aos Estados Unidos.
— Embora a gente saiba que isto (o anúncio de uma tarifa de 50%) altera, sem dúvida nenhuma, o mercado, dá um desarranjo, na carne certificada, a exportação é considerada até desprezível, não tem a importância que o país tem para nós — reforçou José Paulo Cairoli, presidente da entidade e ex-vice governador do Estado.
Ladislau Böes, presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Rio Grande do Sul (Sicadergs) também pondera:
— O tarifaço já está trazendo consequências para a pecuária em todo o país. Talvez para a carne angus menos, mas sempre tem prejuízos no meio do caminho.





