No mapa dos fornecedores globais de carne bovina, o Brasil tem uma posição privilegiada. Levantamento exclusivo do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte (Nespro/UFRGS) mostra que o país é o que tem a maior oferta líquida da proteína.
Em volume e no preço negociado, o presidente americano Donald Trump pode ter dificuldades de achar um substituto para o produtor brasileiro em um cenário de implementação do tarifaço.
Os 50% previstos para entrar em vigor, em teoria, não impedem a venda. Na prática, no entanto, a taxa torna inviável a comercialização pelo custo que adiciona.
— Os países (exportadores) não têm volume suficiente ou os que têm não vendem pelo preço do Brasil — reforça Júlio Barcellos, coordenador do Nespro UFRGS sobre potenciais substitutos.
O mais perto, em quantidade, é a Austrália. Os EUA, por sua vez, têm um déficit de 978 mil toneladas. Reflexo de do quadro interno, com os americanos tendo o menor rebanho em 80 anos, com impacto sobre produção. Situação que fez com que tivessem de ampliar as compras de outros países.
Os dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec), ostentam um abril de volume mensal recorde embarcado para os EUA neste ano. Depois disso, e com uma tarifa extra de 10% em vigor para a carne bovina, a quantidade vem reduzindo, mas se mantém acima na comparação com igual período de 2024.
A substituição de fornecedor é um desafio para os EUA, assim como o redirecionamento para outros mercados é para a indústria de carne bovina brasileira. Nas semanas que se seguiram ao anúncio do tarifaço, o preço da arroba do boi no centro do país, teve uma queda de 8%. No RS, o recuo foi um pouco menor, de 5,4%.
Está claro que efeitos virão com a implementação da taxa, prevista para 1º de agosto. O que mais preocupa é a incerteza "do quanto" pode impactar.




