
O Plano Safra 2025/2026 voltado à agricultura familiar foi anunciado nesta segunda-feira (30) pelo governo federal. O pacote de crédito totaliza R$ 89 bilhões nas linhas disponibilizadas, valor 3,9% acima do ciclo anterior, a maior parte voltada ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), R$ 78,2 bilhões.
Há novidades como a linha para irrigação com energia solar e práticas adaptadas ao clima (Pronaf Adaptação às Mudanças Climáticas, com juros variando entre 3% e 2,5%, o aporte para ampliação da conectividade (Pronaf Conectividade Rural) e voltado à produção de alimentos orgânicos (Pronaf B Agroecologia).
Na apresentação do Plano Safra, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, ressaltou a "nacionalização" do Plano Safra.
— Tivemos um aumento de 90% do financiamento para o Nordeste. O Plano Safra passou a ser nacional, de todo o Brasil — argumentou.
O ministro exemplificou a fala com os percentuais de crescimento do crédito contratado conforme as regiões brasileiras, a comparação do ciclo 24/25 com o 23/24. No Nordeste, o aumento da cifra contratada foi de 94%, somando R$ 11,3 bilhões.
Avanços que foram celebrados na cerimônia. Mas na ponta sul do mapa, o valor de R$ 31,1 bilhões ostenta a região de maior representatividade na tomada do crédito da agricultura familiar. Não por acaso, dada a característica das propriedades rurais no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
E é dessa fatia que talvez venha a frustração com o pacote anunciado. O RS ainda aguarda uma solução para o passivo acumulado por uma sequência de estiagens, combinadas com a enchente de 2024.
Ter linhas de crédito com juros de subsidiados, de 2,5% quando a Selic está na casa de 15% é, de fato, um diferencial e tanto para quem quer produzir. O problema é que para acessar esse crédito, é necessário estar adimplente. E esse é um ponto crucial para ter condições produtivas.
Superintendente no RS do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Milton Bernardes diz que há o entendimento de que Estado teve uma série de emergências climáticas. E cita ações desenvolvidas pela União para a agricultura familiar afetada por intempéries, como o desconto concedido para produtores com perdas após as cheias, a liberação de R$ 1 bilhão em linha do BNDES em capital de giro e o programa Desenrola Rural. E propõe uma reflexão:
— Temos de discutir o modelo produtivo face às mudanças climáticas.




