
As Filipinas não só abriram suas portas à carne suína do Rio Grande do Sul, como se tornaram o maior comprador da proteína animal do Estado e do Brasil. O país asiático é uma das conquistas de mercado obtidas pelos gaúchos desde que receberam o reconhecimento de zona livre de febre aftosa sem vacinação. O feito veio em 27 de maio de 2021.
A decisão de deixar de vacinar o rebanho veio um ano antes, em maio de 2020. Feita em bovinos, a imunização é considerada uma barreira à exportação de determinados países, mesmo em proteínas como a do suíno, que não é o alvo da aplicação das doses.
Do aval dado pela Organização Mundial de Saúde Animal em 2021 para cá, o RS contabiliza três aberturas importantes para a carne suína — e mantém a expectativa de outros destinos ou de ampliação para onde já vende. É o caso da China, que compra o produto, mas que restringia a entrada de carne com osso e miúdos. Após a recente missão do governo federal ao país asiático, renovou-se a confiança de que isso possa ocorrer em breve.
Somados, Filipinas, Chile e República Dominicana, as conquistas celebradas pelo Estado após a mudança de status em relação à febre aftosa, acrescentaram, em 2024, uma receita adicional de US$ 205,54 milhões. Nos primeiros quatro meses deste ano, a cifra já chega a US$ 99,24 milhões, conforme dados compilados pela Farsul Big Data.
Quando da retirada, se estimou um potencial de até US$ 1,2 bilhão extras por ano só com a abertura ou ampliação de mercados onde a proteína gaúcha não entrava.
Para Rogério Kerber, presidente do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa) e diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Suínos e Derivados (Sips), há ainda um outro ganho importante com a retirada da vacinação:
— Quando o RS vacinava, tínhamos o serviço veterinário focado na campanha de vacinação durante parte do ano. Sem isso, o serviço veterinário oficial pôde se concentrar mais em fazer defesa sanitária animal.




